IMAGENS DO REAL IMAGINADO
7ª Edição
2 a 6 de Novembro de 2010
Biblioteca Almeida
Garrett
Teatro Helena de
Sá e Costa
Maus Hábitos
OPEN DOCUMENTARY
Quando se
procura definir o filme documentário ocorre estarmos em presença de um objecto
do campo cultural que remete para o domínio de discursos e narrativas de
natureza diversa sobre o mundo real. Os discursos, entendidos no cinema como a
materialização de significados resultantes da articulação gramatical de signos
audiovisuais, são portadores de mimesis,
mas também de diegesis. A
primeira aponta para a imitação, a segunda para a narrativa. É nesta
duplicidade de sentido, da qual o pathos é inseparável elemento dramático, que se inscreve a ideia do
documentário. O mesmo se aplica, de resto, à generalidade das narrativas. Só
que no documentário, sendo muito presente o papel da tecnologia enquanto
elemento indutor de linguagens, sempre houve lugar para um vasto campo
experimental. Como tal, a expressão open documentary é de certa forma redundante dadas as metamorfoses
deste outro cinema no plano da historicidade. Se agora ganha nova acutilância
parece isso ser consequência de duas ordens de factores: por um lado, o corte
epistemológico do filme documentário face à formatação imposta pela vulgata
televisiva e, por outro, uma cada vez maior transversalidade das artes que abre
o campo àquilo em que o documentário sempre se sentiu muito à vontade, ou seja,
a busca de um número praticamente ilimitado de possibilidades combinatórias
para efeito de explicitação. Esta 7ª edição do IRI reflecte isso mesmo.
Beneficia de uma retrospectiva dos filmes de ruptura de Alain Resnais, cineasta
da modernidade, que estabelecem entre si um fascinante diálogo entre diversas
formas de expressão criativa, bem como de um ciclo de cinema de animação alemão
ao qual não é estranha a linguagem de alguns documentários. Tem filmes de
autores que trabalham com arquivos, fotografias e outros materiais fazendo dos seus
filmes uma permanente reflexão sobre o cinema. Tem um conjunto de masterclasses nas quais o tema open documentary é declinado de múltiplas formas. E tem filmes e
exposições fotográficas que tanto resultam do Mestrado em Comunicação
Audiovisual do Departamento de Artes da Imagem da Esmae, quanto dos cursos de
1º Ciclo. Finalmente, uma nota de reconhecimento pela colaboração da Alliance
Française e do Goethe Institut. Sem eles o IRI não seria o que é.
Jorge
Campos
Dia 2 de Novembro 2010
BAG
14h.30
Apresentação
do Ciclo
Jorge Campos
Cinema de
Animação da Alemanha
Filmes:
Drei Grazien
(Três graças) (2006) de Hannah Nordholt e
Fritz Steingrobe
Nomeação para o Prémio da Curta Metragem Alemã 2006,
Wisbaden Film Assessment Board Rating 2006: “Highly Commended”; Menção Especial
no Hamburg International Short Film Festival, 2006
Alemanha - 15’
00’’
Wo ist Frank?
(Onde está o Frank?) (2001) de Ângela Jedek
Mecon New Talent Award, Colónia, 2001
Alemanha - 8’ 00’’
15h.30
Retrospectiva
de Alain Resnais
Filme:
Coeurs (2006) de Alain Resnais
Festival de Cannes 2006: Melhor Realizador (Alain
Resnais) e Melhor Actriz (Laura Morante)
França -
120’00’’
18h.00
Sessão de
abertura
Intervenções
institucionais
- Instituto
Politécnico do Porto
- Alliance
Française
- Goethe
Institut
- ESMAE
- DAI - ESMAE
Filmes:
A Parideira (2010) de José Miguel Moreira
Portugal,
Mestrado DAI – EMAE - 20’ 00’’
Improvisation
- Les Caravanes des Mots (2010) de Jorge
Campos com fotos de Olívia da Silva
Portugal –
França, DAI-ESMAE / Alliance Française - 13’ 00’’
Guernica (1950) de Alain Resnais
França - 13’
00’’
Post Card
(Cartão Postal ) (2003) de Anna Matysick
Stuttgart International Festival of Animated Film;
Sudwestrundfunk (SWR) Audience Award
Alemanha -
8’00’’
21h.45
THSC
Retrospectiva
de Alain Resnais
Nuit et
Brouillard (1955) de Alain Resnais
Prémio Jean Vigo
1956
França - 30’
00’’
Hiroshima mon
amour (1959) de Alain Resnais
França - 90’
00’’
Dia 3 de Novembro
BAG
14h.00
Filme TCAV
Tempo (2010) de Edgar Sousa
Portugal – 5’
24’’
Cinema de
Animação da Alemanha
Filme:
Ego Sum Alfa
e Ómega (2005) de Jan-Peter Meier”
Wisbaden Film Assessment Board Rating, 2005: “Highly
Commended”: Festival of Nations, Ebensse, Áustria, 2005; Ebenseer Bear in gold;
Stuttgart International Festival of Animated Film, 2006; 1st Sudwestrundfunk
(SWR) Audience Award, Alpinate Short Film Festival, Nenzing, Áustria, 2005;
Jean Thevenot Medal
Alemanha – 7’ 00’’
14h.30
Masterclass
de Sarah Pink (Loughborough University)
“Walking at
the Edge: intersections between documentary film, photography, arts and social
science practice”
Sinopse:
This paper will explore how recent theoretical interests in movement and
a focus on walking in documentary film, photography, arts practice and social
science research can facilitate interdisciplinary exchanges. Through a
discussion of theories of movement, and of examples of walking with others in
ethnographic documentary film, in arts practice and in video and photographic
social science research I identify points of continuity and of mutuality. I
will outline how these different approaches use walking and shared movement as
a principle through which to communicate about other people’s experiences. As
such I will argue that by walking at the edge of these different disciplines
and documentary, arts and ethnographic practices might mutually inform each
other.
16h.00
Masterclass de Floreal Peleato (cineasta e critico de cinema)
Sinopse:
“Alain Resnais: Un Mosaico de la Modernidad”
Desde sus cortometrajes Alain Resnais
(Vannes, 1922) afirma con fuerza la necesidad de encontrar una forma narrativa
y dramática distinta para cada relato filmado. Más allá de la diversidad
de su obra permanecen su gusto por la palabra - y el teatro - y por las formas
populares - la canción, el comic -, su tratamiento singular de la música, su
fidelidad a un equipo de colaboradores - el público conoce sobre todo a sus
actores -, sus construcciones no lineales atravesadas por el tiempo y la
melancolía. A lo largo de más de medio siglo no ha dejado de ser un
exploradorque merece ser calificado, más que cualquier otro director, de
"moderno".
Filme:
Les Statues
Meurent Aussi (1953) de Alain Resnais e Chris Marker
Prémio Jean Vigo 1954
França - 30’
00’’
18h.00
Materclass de
José Ribeiro (Universidade Aberta)
“Cinema e
Antropologia”
Sinopse;
Desde seu aparecimento, no século XIX, cinema e
antropologia, desenvolveram uma história paralela e múltiplas aproximações. As
mais relevantes são metodológicas e sobre a natureza das representações, isto
é, a compreensão as relações entre a produção cinematográfica de uma sociedade
e a vida social. Destacaremos a proximidade metodológica entre Flaherty e
Malinowski, entre a montagem segundo Vertov e as fases da investigação
antropológica, entre três planos na produção cinematográfica e na investigação
antropológica, as consequências epistemológicas do advento do som direto no
cinema e na antropologia, o advento das narrativas complexas multi-situadas e
as formas exploratórias e experimentais do pós-cinema. Abordaremos as
perspetivas das lições de cinema para a nossa época de Laplantine e posição e posicionalidade
epistemológica, ética e política do antropólogo e do cineasta.
21h. 45
THSC
Retrospectiva
de Alain Resnais
Toute la
Mémoire du Monde (1956) de Alain Resnais
França - 21’
00’’
L’ année
dernière à Marienbad (1960) de Alain
Resnais
Leão de Ouro no Festival de Veneza 1961
França - 89’
00’’
Dia 4 de Novembro
BAG
14h.00
Filme TCAV
Tarik (2010) de Emanuel Lopes, Jaime Vicente e Augusto
Cunha
Portugal – 6’
36’’
Retrospectiva
de Alain Resnais
Le Chant du
Styrène - 19’ (1958) de Alain Resnais
14h.30
Masterclass
de Margarida Ledo Andión (Univesidade
de Santiago de Compostela)
“no interior do
frame”
Sinopse:
É posíbel traballar
en presente o arquivo, esa imaxe sobre a que pasou o tempo? Transformado en
material que entra en ralación espacial con outros materiais,
construído como sinal fragmentaria dun discurso, a imaxe de arquivo pode
revelar ese 'trouble' elemental da procura no interior do frame.
Filme:
Cienfuegos,
1913 (2009) de Margarida Ledo Andión e
Belkis Vega
Espanha, Cuba –
17’00’’
16h.00
Filme:
48 (2009) de Susana Sousa Dias
Grand Prix du Festival Cinéma du Réel 2010
Portugal – 90’
00’’
Introdução e
debate com Susana Sousa Dias
21h.45
THSC
Retrospectiva
de Alain Resnais/ Cinema de Animação da Alemanha
The Patchwork
Queen (2001) de Lars Henkel
Kurzundschon, Cologne, 2002: 3rd Prize; Festival
Internacional de Cine Universitário, Madrid, 2002: Melhor Som
Alemanha - 3’ 00’’
Muriel ou le
temps d’ un retour (1963) de Alain Resnais
Festival de Veneza 1963: Prémio Volpi para Delphine
Seyrig
França - 114’
00’’
Dia 5
BAG
14h.00
Filme TCAV
Out of
Service (2010) de Fábio Magalhães
Portugal – 8’
20’’
14h. 15
Masterclass
de André Eckert
director do
Deutsches Institut für Animationsfilm
“Cinema de
Animação na Alemanha: os novos caminhos”
15h.30
Masterclass
de Adriana Baptista (Ecola Superior de
Educação-IPP)
“Ydessa, les ours, etc: a
dimensão equívoca da mostração”
Sinopse:
O documentário em Agnès Varda não parece destinado a
dar a ver, mas a promover a desconfiança sistemática sobre o óbvio. Ultrapassar
a dimensão do registo implica documentar o processo incerto da inteligibilidade
sobre o mostrado que cada um experimenta quando vê e interpreta. Nessa medida,
a realizadora faz com o espectador o percurso temporal dentro do real mas filma
também a dúvida, a hipótese de interpretação e a informação que, na margem de
todo o sucedido, o reveste de significado. Mas desse percurso esconde
deliberadamente a designação, libertando-se, assim, definitivamente, da
classificação de que todo o registo necessita. Neste caso particular, o seu
documentário gere percepções, emoções e interpretações desenvolvendo lenta e
progressivamente a ideia de que não basta ver e não vale dizer.
Filme:
Ydessa,
les ours et etc. (2004)
de Agnés Varda
França
- 43’00
17h.30
Masterclass de Rodrigo Areias (cineasta)
“O meu cinema”
Sinopse:
Ainda que maioritáriamente
ficção, o meu cinema parte do real e muitas vezes volta antes do fim do filme.
A forma como parto para a feitura de um filme é tendo como ponto de partida o
que me rodeia, quase sempre sem guião e contando com todos para o improviso.
Filmes:
Golias (2010)
de Rodrigo Areias
Portugal - 9’ 00’’
Corrente (2008)
de Rodrigo Areias
11º Festival de Curtas do Rio
de Janeiro – Grande Prémio do Festival; 16º Curtas de Vila do Conde – Prémio do
Júri: Melhor Curta Metragem Nacional; Prémio do Público – Melhor Filme; 12º
Festival de Cinema Luso-Brasileiro –Prémio Especial do Júri; FIKE 2008 – Prémio
Onda Curta; 1º Festival Internacional de Luanda – Melhor Filme; 6º Festival
Internacional Black & White – Melhor Ficção; 14º Ovarvideo – Melhor
Fotografia, Melhor Argumento
Portugal - 16’ 00’’
Apresentação e debate com o realizador
THSC
21h.45
Retrospectiva
de Alain Resnais/ Cinema de Animação da Alemanha
Yo lo vi
(2003) de Hannah Nordholt e Fritz
Steingrobe
Nomeação para o Prémio da Curta Metragem Alemã, 2003;
Wisbaden Film Assessment Board Rating, 2003: “Highly Commended”
Alemanha – 11’ 66’’
Stavisky –
114’ (1974) de Alain Resnais
Festival de Cannes 1974: Prémio Espcial do Júri para a
interpretação de Charles Boyer
França – 115’
00’’
Dia 6
THSC
Retrospectiva
de Alain Resnais/ Cinema de Animação da Alemanha
15h.30
Bildfenster/
Fensterbilder (Enquadramento/ Imagens) (2007)
de Bert Gottschalk
Alemanha – 6’
00’’
Ottawa International Animation Festival, 2009: Best
Expereimental/ Abstract Animation; Montageforum Film, Cologne, 207: BMW Group
Grant Award for Editing; Zagreb Film Festival, Croatia, 2008: Menção Especial
Mon Oncle
d’Amérique (1980) de Alain Resnais
Grande Prémio do Júri do festival de Cannes 1980
França – 125’ 00’’
18h.00
Retrospectiva
de Alain Resnais/ Cinema de Animação da Alemanha
Neulich 2
(Recentemente 2) (2000) de Jochen Kuhn
Alemanha – 9’
00’’
Festival du Nouveau Cinéma , Montréal,2000: 1st Prize;
Regensburg Short Film Week, 2001: 1st Audience Award; FilmArtFestival in
Schwerin, 2001: Jury Award for the best short film; short cuts cologne,
Cologne, 2001: Audience Award; Wisbaden Film Assessment Board Rating, 2002:
“Highly Commended”
Alemanha – 9’ 00’’
Melo (1986) de Alain Resnais
França – 112’
00’’
21h.45
Retrospectiva
de Alain Resnais/ Cinema de Animação da Alemanha
Delivery (A
Entrega) (2005) de Till Nowak
AFI Fest, Los Angeles, 2006: Jury Award and Audience
Award; International Animation Film Festival, Annecy, 2006:Best Debut Film;
Nomination for the European Short Film Award, 2006; Friedrich Wilhelm Murnau
Foundation, 2006: Murnau Short Film Award; Hamburg International Short Film
Festival, 2006: “Made in Germany” Audience Award; Hamburg Animation Award,
2005; 2nd Prize; OFF Barcelona, 2005: 1st Prize; International Student Film
Festival in Potsdam, 2006: Best Animated Film
Alemanha – 9’
00’’
On connait la
chanson - (1997) de Alain Resnais
Prémio Louis Delluc 1997
Césars 1997 para Melhor Filme, Melhor Actor (André
Dussolier), Melhor Actriz Secundária (Agnés Jaoui), Melhor Actor Secundário
(Jean-Pierre Bacri), Melhor Som e Melhor Edição
França – 120’
00’’

Archeology of Portuguese Documentary Film
I propose to challenge the memory of the earliest Portuguese documentary. Knowing this history enables to recognize the weakness and lack of formal daring that characterized a pathway initiated by Aurélio Paz dos Reis (1896) and that, somehow, ended on the day of his death in 1931, precisely the year that Manoel de Oliveira did Douro, Faina Fluvial. Only with Oliveira, and for a brief moment, the Portuguese documentary followed the signs of the times. However, for a long time, this initial route was valued about to see the best in the film of facts production of this period. Perhaps with some justification. The problem is that films of fact and documentary film are different things. The first refers to the idea of the document. The second would appear only in the realm of art.
Key words: Cinema, documentary film, films of fact, newsreels, archeology
+ info: Artigo (PDF)

Sexta-feira, dia 2 de Julho de 2010, 14.30 – 20.00
VI Seminário Imagens da Cultura/ Cultura das Imagens Cinema
Seminário
Universidade Portucalense
Por: Jorge Campos, professor e investigador
I like Gods, I understand them
Lidar com o mundo também é trabalhar sobre as suas representações, sobre essa teia de sucessivas máscaras cujo reconhecimento autoriza a aproximação aos mecanismos que permitem operar a metamorfose do real em realidade. Deuses caprichosos como os da mitologia podiam usar e abusar dos seus poderes por forma a determinar o sentido do mundo e com ele o destino do homem sobre a Terra. Pois assim parecem ser as divindades de hoje armadas do poder de reproduzir à escala global um universo simbólico ajustado aos seus contraditórios desígnios e, por estupidez ou imprudência, capazes de desencadear forças incontroláveis. Sempre assim terá sido. Mas, quando a barbárie desvendou o horror do lado mais obscuro do rosto dos homens, houve sempre como que uma luz a prumo incidente sobre o outro lado desse mesmo rosto, a luz da cultura e da imaginação da qual se alimentam a coragem, a resistência e a cidadania. Disso direi então falando do poder – sem inocência, porque nestas coisas não há inocência – e de políticas culturais na convicção da necessidade de subverter modelos de intervenção que favorecem protagonismos sem espessura nem memória, perdidos no efémero de si mesmos, eventualmente no limiar do desastre. Este será um mosaico mais do domínio da efabulação e menos do domínio da ciência cuja certeza, de resto, também não é certa.
+ info: Texto completo (PDF)
texto integral também na página de cinema documental
O QUE É O IRI?
O Ciclo de Fotografia e Cinema
Documental Imagens do Real Imaginado é uma iniciativa dos Cursos de Tecnologia
da Comunicação Audiovisual e de Tecnologia da Comunicação Multimédia da Escola
Superior de Música e Artes do Espectáculo do Instituto Politécnico do Porto que
se realiza anualmente em Novembro. Vai agora entrar na sua 6ª edição denominada
Rosto Transversal.
O Ciclo não se destina a competir
com os festivais, é antes um fórum de reflexão sobre matérias que sendo do
âmbito dos planos curriculares interessa igualmente ao público em geral numa
perspectiva de abertura da escola à comunidade. Foi concebido em função de três
eixos estratégicos:
- como forma de dar maior
visibilidade ao Curso, estreitando os laços com o exterior e, em particular,
com o meio profissional onde, aliás, tem tido grande aceitação, na perspectiva
da adequação à Declaração de Bolonha;
- promover a internacionalização
através de um número sempre crescente de parcerias e proporcionar aos
estudantes o contacto directo com obras, artistas e especialistas cuja
acessibilidade, de outro modo, seria praticamente impossível;
- lançar as bases de um Mestrado
em Produção e Realização Audiovisual (já concretizado) e promover uma linha de
formação de novos públicos em função da qual a iniciativa viesse a ter uma
importância crescente no panorama cultural da cidade do Porto.
Todos os objectivos têm vindo a
ser integralmente cumpridos. Conta já entre os seus parceiros regulares com a
Alliance Française, o Goethe Institut, a Universidade de Newport (UK), o
Instituto de Cinema e Audiovisual e o Festival de Curtas Metragens de Vila do
Conde. De ano para ano tem vindo a conquistar um número crescente de público,
na sua maioria jovem. A última edição, cujo tema foi O Poder das Imagens, marcou oficialmente a abertura do Mestrado, serviu
para fazer a ante estreia do documentário O Meu Coração Ficará no
Porto sobre o dia 14 de Maio de 1958, data
da célebre acção de campanha do General Humberto Delgado e deu a ver trabalhos
em parceria com outras escolas do universo IPP no âmbito da criação e execução
de partituras musicais especialmente concebidas para clássicos do cinema
francês e alemão.
Todas as edições são programadas
em função de um tema cuja abordagem se faz em termos da exibição comentada de
filmes, fotografias, projectos multimédia e outras intervenções como sejam masterclasses, conferências e workshops. Há sempre um espaço para mostras de trabalhos de
professores e estudantes dos Cursos, bem como de outras escolas portuguesas e
sobretudo estrangeiras, no âmbito das relações internacionais entretanto
estabelecidas. A designação para o ano em curso é Rosto Transversal e obedece a um conjunto de declinações que toma a
centralidade do rosto como elemento de referência no contexto de uma abordagem
transversal das artes.
Habitualmente, o Ciclo é
programado uma vez feito o balanço da edição anterior pelas partes envolvidas e
após a publicação dos materiais correspondentes, os quais cumprem, igualmente,
uma função de divulgação. O balanço tem lugar em Janeiro, logo aí ficando
acordado o tema da edição seguinte, bem como uma lista de possibilidades que é
afinada em Março e Abril e concluída em finais de Maio, princípios de Junho.
Na 6ª edição do Ciclo de
Fotografia e Cinema Documental Imagens do Real Imaginário – Rosto
Transversal, cujo programa pode ser
consultado em http://www.dai.esmae.ipp.pt há
ainda a destacar, alem das parcerias já mencionadas, a presença do CPF (Centro
Português de Fotografia) e do European Centre of Photgraphic Research (eCRP),
University of Wales, sublinha-se ainda a estreia em Portugal de quatro novos
documentários: La Mano Azul de Floreal
Peleato, Zanzibar Soccer Queens
de Florence Aysi, Há Procura de um Fado de Jorge Campos e Learn Baby Learn de Carina Rafael que acaba de obter o primeiro
prémio no concurso de cinema realizado no âmbito das instituições nacionais que
prestam cuidados de saúde mental.

Jorge Campos integra o Comité Técnico-Científico do I Seminário História de Roteiristas
26.10.2009 in Atividades, Vários by | Permalink

Jorge Campos integra o Comité Técnico-Científico do I Seminário História de Roteiristas
26.10.2009 in Atividades, Vários by | Permalink

Exibição do documentário “O Meu Coração Ficará no Porto”, de Jorge Campos, no âmbito das comemorações do Centenário da República, no Teatro Nacional São João, no dia 4 de Outubro, às 21h30.
Quem desejar assistir deverá levantar um convite, no próprio Teatro Nacional São João, no dia 4 de Outubro a partir das 14h.
No dia 5 de Outubro o Jornal de notícias irá distribuir, na sua edição especial de 5 de Outubro, o DVD com o documentário realizado por Jorge Campos, produzido pelo Instituto Politécnico do Porto e pelo Governo Civil do Porto.
título O Meu Coração Ficará no Porto
realização Jorge Campos
produção Instituto Politécnico do Porto e Governo Civil do Porto, com a colaboração deprofessores e alunos do Departamento de Artes e Imagem da ESMAE.IPP
organização Instituto Politécnico do Porto, Governo Civil do Porto, TNSJ
duração 52’
classificação etária M/6 anos
Ciclo de Fotografia e Cinema Documental
Imagens do Real Imaginado – 5ª edição
O Poder das Imagens
3 a 7 de Novembro de 2008
Auditório da Biblioteca Municipal
Almeida Garrett
Uma Programação do Departamento de Fotografia,
Cinema, Audiovisual e Multimédia da ESMAE com o apoio da Alliance Française e
do Goethe Institut no âmbito do Projecto Elysée
O Project Elysée resulta de uma parceria franco-alemã
para efeito da organização de actividades culturais a desenvolver em países
terceiros. Criado por ocasião do 40.° Aniversário do Tratado de Elysée pelos
Ministérios das Relações Exteriores da Alemanha e da França tem por objectivo
promover a visibilidade de ambos os países. O Project Elysée requer a
colaboração de parceiros locais reconhecidamente qualificados, numa perspectiva
de interacção criativa, por forma a tirar partido de sinergias existentes e
garantir o sucesso das iniciativas programadas.
A
propósito de O Poder das Imagens
Esta é a 5ª edição do ciclo de Fotografia e Cinema
Documental Imagens do Real Imaginado.
Desta vez escrutinamos O Poder das Imagens. Reportamos fundamentalmente à fotografia e ao cinema documental, mas
não enjeitamos incursões noutros territórios. Tratando-se essencialmente de um
programa escolar que, neste caso, foi pensado como plataforma inaugural do
mestrado profissionalizante em Comunicação Audiovisual da Escola Superior de
Música e das Artes do Espectáculo, é natural que haja, como sempre tem
acontecido, uma preocupação de rigor na abordagem das matérias e na qualidade
dos intervenientes por forma a cumprir dois objectivos: reforçar a ligação da
escola ao meio profissional proporcionando aos estudantes um contacto directo
com autores, investigadores e obras fundamentais; prosseguir uma estratégia de
criação de novos públicos associada à criação de circuitos alternativos com
reflexos, a prazo, no aparecimento de novos criadores. Este é um trabalho de
perseverança, cujos resultados são já visíveis, nomeadamente nos prémios
nacionais e internacionais que ano após ano os nossos alunos e ex-alunos vêm
obtendo, bem como no reconhecimento que decorre dos convites para efeito de
participação em numerosas iniciativas. Mas, este é um trabalho feito também a
pensar no público em geral. Não faria sentido ter Manoel de Oliveira, Fernando Lopes,
José Luis Guérin, Mark Durden, Mercedes Alvarez, Mike Hoolboom, Helmut Färber,
Rahul Roy, Gerard Colas, Georges Dussaud e tantos outros convidados de edições
anteriores e encerrá-los num conclave meramente académico. Não há escola,
aliás, sem abertura para a vida nem espaço para a imaginação. Este ano, o Ciclo
propõe-se interpelar as imagens no contexto das representações e narrativas
sobre o mundo. Não é uma questão menor. Concreta e não geral como o termo
linguístico, a imagem comunica todo um conjunto de emoções e significados como
que obrigando a captar instantaneamente um todo sensorial indiviso. Então, como
lidar com ela, agora, no mundo das propagandas silenciosas e das máquinas
censurantes? Fazendo das suas narrativas um convite à reflexão ou sucumbindo,
talvez com deleite, ao fascínio e à hipnose? Hipóteses a considerar, entre
outras, em O Poder das Imagens.
Jorge Campos
Dia 3
14.00 BMAG
Apresentação do ciclo por
Jorge Campos
Las Hurdes
(1932) de Luis Buñuel
14.45 BMAG
Masterclass de Christian Milovanoff
Christian Milovanoff é diplomado em Sociologia e em
etnografia pela Universidade d’Aix en Provence e em estudos de Arte pela
Universidade de Urbino, na Itália. Professor na École Nationale de Photographie
d’Arles é autor de vários estudos sobre fotografia, como “As fotografias de
Claude Levi-Strauss”, e cinema, nomeadamente sobre as obras dos cineastas Johan
van der Keuken e Frederick Wiseman. Foi convidado por duas vezes, entre 1981 e
1986 e 2007-2008, pelo Musée du Louvre para realizar trabalhos de fotografia a
partir das obras do Museu que ali foram apresentados. Tem realizado inúmeras
exposições na Europa e nos Estados Unidos.
O Poder das
Imagens
Sinopse:
Desde o momento em que foi reconhecida oficialmente a
fotografia apresentou-se como instrumento de identificação e apropriação da
identidade, isso é instrumento de existência satisfazendo o desejo da
representaço de si e do outro. Assim, com a fotografia e o cinema vai se
desenhar um território onde as tecnologias do poder actuam para o melhor e o
pior.
16.15 BMAG
Masterclass de Val Williams
Val Williams é
professora da University of the Arts London onde dirige o Centro de
Investigação “Photography and the Archive”. Editora do livro: Martin Parr:
Photographic Works, publicado pela Phaidon Press em 2002 e comissária da
exposição: Martin Parr: Photographic Works 1970 - 2002 da Barbican Art Gallery
e do National Museum of Photography Film and TV.
Martin Parr: Photographic Works
18.15 BMAG
Abertura oficial
Alliance Française, Goethe Institut, Governo Civil
do Porto, Câmara Municipal do Porto, ICA,
IPP, ESMAE, ESE, TCAV/TCM, Agência de Curtas Metragens de Vila do Conde
Estreia do filme
“O meu coração ficará no Porto”
Documentário
sobre a visita ao Porto do general Humberto Delgado durante a campanha
eleitoral para a Presidência da República de 1958 que resulta de um acordo de
cooperação do Instituto Politécnico do Porto com o Governo Civil do Porto. Uma
produção dos Serviços de Vídeo do IPP com a colaboração de professores e alunos
do Departamento de Fotografia, Cinema, Audiovisual e Multimédia da ESMAE e
realização de Jorge Campos.
Sinopse:
Para muitos o dia 14 de Maio de 1958 terá sido o
início do fim da ditadura em Portugal. A cidade do Porto saiu à rua para
receber o General Humberto Delgado, candidato pela oposição à eleições
presidenciais. Dias antes, instado a pronunciar-se sobre o destino de Salazar
caso vencesse as eleições, Delgado proclamara: “Obvimente demito-o”. Foi o
rastilho que incendiou o País. 50 anos mais tarde, o Porto evocou esse dia
memorável em que o Povo saiu à rua numa manifestação sem precedentes, para
sempre ligada ao destino do General Sem Medo.
21.45 BMAG
1. Censura e Estado
Novo
Filmes: O Pintor e a Cidade (1956) e A Caça (1964-1970) (Duas versões, a do autor e a censurada)
de Manoel de Oliveira
Apresentação
de Manoel de Oliveira
2.
O olho em
estado selvagem
Introdução
de Fátima Lambert
Filme-concerto
Entr’ Acte (1924) de René Clair
Projecto: musicar as imagens, «cenas quase
quotidianas»
Músicos (ESE – IPP):
Maria Bernardete Felisberto – voz e outros
Sara Esteves – voz e outros
Sílvia Boga – voz e outros
Vera Ferreira – sax e outros
Raquel Fontão Barbosa – sax e outros
Carlos Ramos Silva – trombone e outros
António Vale – Guit. e outros
Sara Pinheiro – piano, voz e outros
Susana Gonçalves – piano, voz e outros
Direcção
musical – Francisco Monteiro
Professor (ESE-IPP), pianista, compositor.
É membro dos grupos G.M.C.L. e Oficina Musical. Diplomado em piano (U.
Viena), Mestre em Ciências Musicais (U. Coimbra) e Doutor em Música
Contemporânea (U. Sheffield), é investigador (CESEM) nas áreas da estética
musical, da música contemporânea portuguesa e da interpretação musical.
Dia 4
Dia dedicado a Ray Müller e
Leni Riefenstahl
Carta branca a Ray Müller
(a ordem da programação que se segue é flexível podendo
ser alterada em função do entendimento do autor).
14.30 BMAG
Masterclass de Ray Müller
Nascido 1948, Ray
Müller cursou Literatura inglesa e francesa, na Universidade de Munique. Estudou
cinema em Londres e Montpellier. Depois de terminado o M.A. trabalhou como
argumentista e realizador na televisão, especializando-se em documentários. O
seu filme mais conhecido e premiado é The Wonderful Horrible Life of Leni
Riefenstahl. Ray Müller é professor convidado da Universidade de Berkeley,
Califórnia, desde 2006.
Um pacto com o diabo
16.30 BMAG
Filme:
O mundo maravilhoso e
horrível de Leni Riefenstahl (1993) de
Ray Müller
Apresentação
de Ray Müller
Filme:
Um Sonho de África (Ein Traum Von Afrika)(2003)de Ray Müller
Apresentação
de Ray Müller
21.45 BMAG
Filme:
Olimpíada (1938) de Leni Riefensthal
Apresentação
de Ray Müller
Dia 5
14.30 BMAG
1. Escolas - O Ensino e as Representações do Mundo
Universidade de Newport, Reino
Unido – Ken Grant
Universidade de Tübingen,
Alemanha - Ulrich Hägele
Escola de Fotografia de Arles e
Museu do Louvre – Christian Milovanoff
17.30 BMAG
2. Escolas - O Ensino e as Representações do Mundo
CTCAV/ CTM (IPP), Portugal - Olívia da Silva
Universidade de Santiago de
Compostela, Galiza - Margarida Ledo Andión
Karel de Grote Hogeschool, Bélgica - Els Fieuw e Ineke Mertens
21.45 BMAG
Memória e esquecimento
Filmes:
Nuit et Brouillard (1955) de Alain
Resnais
A Nossa Música (2004) de Jean-Luc Godard
Dia 6
14.30 BMAG
Masterclass
de Ulrich Hägele
Ulrich Hägele tem formação em Estudos Culturais e
História da Arte pela Universidade de Tübingen. Curador de Museus e redactor de
Rádio na emissora SWR em Estugarda e Baden-Baden. É investigador em Ciências da
Comunicação na Universidade de Tübingen e especialista em Propaganda do III
Reich.
A
Fotografia e o III Reich
17.30 BMAG
Masterclass
de Frédéric Sabouraud
Frédéric Sabouraud é professor de cinema na
Universidade de Paris 8 ( Estética do filme documentário e de ficção e escrita
de argumento). Organiza e dirige ateliers de escrita e realização em França e no estrangeiro. Ė tambėm
realizador ( “ Sans faire d’histoires “ 2006 ) e crítico de cinema. Foi membro da
direcção da redacção dos “Cahiers du Cinéma “ e é colaborator das revistas “
Trafic” e “Images documentaires”. Ensaista, é autor de várias obras entre as
quais: “ L’Adaptation au cinéma”, “Histoire du cinéma iranien 1900-1999” e
“Depardon/Cinema”.
Filmar o que desapareceu
A
propósito do filme S21, La machine de mort Khmère rouge (2004) de
Rithy Panh
Sinopse:
Interrogar “os poderes da imagem” através das
tentativas do cinema para encenar a recordação, não só como meio para relatar
um acontecimento passado, mas, também, como acta de memória, de ficção, de
reconstrução, como processo da representação de representações.
21.45
BMAG
Filmar o quotidiano
Filme:
O Sabor da Cereja (1997) de Abbas Kiarostami
Apresentação de Frédéric Sabouraud
Dia 7
14.30
BMAG
Masterclass de António Pedro Vasconcelos
Frequentou
o Curso Superior de Filmografia na Universidade de Paris IV e é um dos
cineastas representativos do Cinema Novo Português com o filme Perdido por
Cem (1973). Responsável por alguns
dos filmes portugueses de maior sucesso comercial como O Lugar do Morto (1984) e Jaime (1999), a sua obra tem sido reconhecida em diversos festivais
internacionais. Participou na criação da V.O. Filmes, da Opus Filmes e ainda do
Centro Português de Cinema que produziu a maior parte dos filmes do Cinema
Novo. Foi chefe de redacção, com João César Monteiro, da revista Cinéfilo e colunista
da revista Visão, entre outras publicações. Presidiu ao grupo de trabalho
encarregado pela Comissão Europeia de fazer o Livro Verde para a Política do
Cinema e Audiovisual e exerce funções
docentes na área do cinema e da televisão no ensino superior.
Imagens
da guerra colonial
Sinopse:
“A Câmara não é uma janela, é um cache” (André Bazin). O problema da honestidade no
documentário. Ir à procura, dez ou quinze anos depois, do que escondem as
imagens que nos são apresentadas como de reportagem, com a caução do real. O
documentário como reacção à reportagem e às suas manipulações: a montagem, mas
também a própria imagem, o enquadramento: que verdade há num testemunho
enquadrado de tal forma que não vemos o revólver apontado, fora de campo, à cabeça
do entrevistado?
Filme:
Adeus e até ao meu regresso (1974) de António Pedro Vasconcelos
17.30
BMAG
Masterclass de José Manuel Costa
Licenciado em Engenharia, José Manuel Costa
desempenhou, desde 1975, diversas funções na Cinemateca Portuguesa tendo sido,
nomeadamente, seu vice-presidente e responsável pelo ANIM (Arquivo Nacional das
Imagens em Movimento). Foi presidente da Associação das Cinematecas Europeias
durante vários anos. Lecciona História do Cinema e do Documentário na
Universidade Nova de Lisboa e é o responsável do Curso de Vídeo e Cinema
Documental na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes.
O
Regresso aos Kinoks
A propósito da interrrogação sobre o lugar do cinema
hoje, breve evocação da ruptura modernista de há um século (período 1908-1930)
e da relação do cinema e das outras artes neste contexto. De onde o cinema é
visto, de onde o cinema vê.
Excertos de filmes de Dziga Vertov
21.30
BMAG
1. O Poder das Imagens: curtas políticas ou politicamente
incorrectas
Filmes:
Selecção de curtas metragens
políticas da Agência da Curta Metragem de Vila do Conde
Superfície de Rui
Xavier
Portugal 2007 Fic 13'
Betacam SP PAL
Sinopse:
Por muito calma que
pareça a superfície do oceano, cada vez que cruzamos a linha, que divide a
terra do mar, entramos num mundo desconhecido e imprevisto. Ao voltarmos à
terra será que o nosso mundo se mantém igual?
Plot point de Nicolas Provost
Bélgica 2007 doc/Exp
15'
Betacam SP PAL
Sinopse:
A real e muito famosa
‘cop land’ americana com as suas sirenes de carros de polícia, fardas,
ambulâncias e ruas apinhadas de gente, facilmente se transforma num cenário de
cinema perfeito, pondo não só em questão os limites entre realidade e ficção,
mas também os códigos da narrativa cinematográfica (a curva de tensão, o
climax, o ‘plot point’), brincando com as nossas expectativas e deixando o
mistério por desvelar.
The adventure de Mike Brune
EUA 2007 Fic 22'
35 mm
Sinopse:
Um casal de reformados
de classe média faz um passeio no parque para desfrutar de um piquenique. A
serenidade de uma refeição íntima na natureza é destruída pelo aparecimento de
um mimo consternado que foge de uma misteriosa ameaça. Enquanto o mimo explica
o seu drama através de uma elaborada performance, o homem e a mulher
aborrecem-se e ficam indiferentes, limitando-se a esperar pelo momento de pagar
ao “artista de rua” e irem-se embora. Os seus esforços fracassam. Antes que
consigam
escapar, passam de
espectadores inactivos a participantes contrariados num crime imaginário que
expõe mistérios perturbadores sobre performance, empenho e violência.
Le soleil et la mort voyagent ensemble de Frank Beauvais
França 2006 EXP 11'
35 mm
Sinopse :
Nunca mais as cores,
nunca as folhas ou olhares. Tudo engolido numa estranha catástrofe. Tudo
despedaçado. A única coisa que resta do universo que se desmorona é esta
barraca cheia de gente que se acotovela. Está tudo morto e vazio. Georges
Hyvernaud "Skin and bones"
Apresentação de Nuno Rodrigues (Festival de curtas metragens de
Vila do Conde)
2. O
Poder das Imagens: a comédia ao poder
Filme-concerto:
A princesa das ostras (1919) de Ernst Lubitsch
Introdução de Jorge Campos
Combo
(ESMAE – IPP)
Voz: Rita Martins
Guitarra:
Carla Seiça
Contrabaixo: João Cação
Piano: Juan Buenafuente
Saxofone Alto: João Martins
Ossi Nuermela: Bater
Imagens do Real Imaginado
Olhares sobre a Cidade
Ciclo sobre fotografia e cinema documental
4ª edição
5 a
10 de Novembro de 2007
Auditório
da Biblioteca Municipal Almeida (BMAG)
+
Passos
Manuel (PM)
Uma iniciativa do Curso de
Tecnologia da Comunicação Audiovisual do Instituto Politécnico do Porto (TCAV),
da Alliance Française Portugal e do Goethe Institut Portugal no
Porto no âmbito do Project Elysée com a colaboração do Curtas de Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema e
Solar Galeria de Arte Cinemática – Vila do Conde.
Projecto
Elysée
O
Project Elysée resulta de uma parceria franco-alemã para efeito da organização
de actividades culturais a desenvolver em países terceiros. Criado por ocasião
do 40.° Aniversário do Tratado de Elysée pelos Ministérios das Relações
Exteriores da Alemanha e da França tem por objectivo promover a visibilidade de
ambos os países. O Project Elysée requer a colaboração de parceiros locais
reconhecidamente qualificados, numa perspectiva de interacção criativa, por
forma a tirar partido de sinergias existentes e garantir o sucesso das
iniciativas programadas.
Narrativas sobre o real
Cidades e cineastas. Países. Há
países que antes de o serem são cinema. A América, diz Baudrillard, é um país
cinematográfico. A cidade americana parece ter saído, viva, da sala de cinema:
“Por isso, para aprender o segredo, não se deve ir da cidade ao ecrã, mas sim
do ecrã à cidade”. Segredo é, portanto, a palavra chave do cinema. É impossível
ficar-lhe indiferente porque dela se espera que em si mesma contenha o seu
contrário: revelação. E o mesmo sucede com a fotografia, esse argumento sobre o
mundo em pinceladas de luz convidando à viagem que, como diria Cartier-Bresson,
viajante infatigável, põe na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração.
Mas, atenção: a imagem, por
natureza, é polissémica. E o discurso, sendo uma prática expressiva da
linguagem com vista à produção e circulação social de sentido, tem uma
pluralidade equivalente à de quem o produz. Por isso, a narrativa, ou seja, a
criação de um universo imaginário apoiado em lugares, acontecimentos e
personagens, porque resulta do discurso, faz a refracção do olhar de muitas e
variadas maneiras. É esse o sentido destes Olhares sobre a Cidade.
Fição? Não-ficção? Dir-se-ia que
a ficção inventa livremente acontecimentos e personagens de modo a construir um
argumento e que a não-ficção produz asserções sobre acontecimentos e
personagens do mundo histórico. Mas que importa? Em qualquer dos casos, no
Cinema e na Fotografia a imaginação criadora tem um papel determinante na
estruturação da narrativa, ou seja, no modo como o discurso procede à
representação do real. Por alguma razão este ciclo se chama Imagens do Real
Imaginado.
Quer a cidade cinemática, porque
irrompendo do ecrã se revela outra, quer a cidade fotográfica, porque num
instante parece fixar o limiar da transcendência, são exemplos das ilimitadas
possibilidades combinatórias reguladas pelo olho que observando selecciona, seleccionando
imagina, imaginando revela e revelando questiona. Da metamorfose do real
pró-fílmico ou pró-fotográfico em algo organizado segundo um estilo e um ponto
de vista podem, portanto, resultar muitas cidades. Nelas cabem avenidas,
edifícios, perspectivas, movimento, máquinas, linhas de fuga, volumes, espaços,
amor, mistérios, angústia, medo, violência, ritmos, sons, neblinas, o sol e a
chuva, ordem e desordem, o dia e a noite, o sexo e a morte, tudo o que se
queira e gente, sobretudo gente, pessoas, porque as cidades são habitadas,
aliás, foram construídas para serem habitadas.
A pós-modernidade, é
certo, deu corpo ao não-lugar. De certo modo é isso que está em Vacancy de Mathias Müller. Em Playtime Jacques Tati ironiza
magistralmente com esses espaços de apagamento da memória, sem identidade e sem
história, de serviços automáticos, despidos de espessura humana proclamando
embora a singularidade e a individualidade dos seus protótipos e dos seus
autómatos. De igual modo, o projecto fotográfico 8/2 de Olívia da Silva
sobre “um dos mais fascinantes lugares do mundo: o mercado (...) onde bate o
coração da cidade sem folclore nem cerimónia” propõe como oposição radical ao
não-lugar esse mundo “que aguça os sentidos: os rostos, os pregões, os cheiros,
as cores, o bulício, confundem-se e sobrepõem-se de forma estonteante.” São
ainda lugares vivos de identidades e memórias a cidade do Porto que nos desafia
em ambos os filmes de Manoel de Oliveira e a cidade de Lisboa tal como Fernando
Lopes a viu em Belarmino.
Cidades imaginadas. Cidades
imaginárias. Partindo do espaço e do tempo do ecrã ou do instante decisivo
fixado na imagem fotográfica, em qualquer dos casos, a aventura do olhar
resulta de possibilidades combinatórias indutoras de metamorfoses praticamente
ilimitadas. Assim, a cidade de Berlim (1926) de Walter Ruttman não é a cidade de Berlim (1998) de Manfred Wilhelms, como
a cidade de Paris de Jean Rouch em Petit a Petit (1971) não é nem é a cidade de
Paris de René Clair em Paris qui dort (1925), nem a cidade de Paris de Joris Ivens de La
Seine à rencontré Paris (1958). Tão pouco a cidade de
Lisboa de Lisbon Story (1994) de Wim Wenders é a cidade de Lisboa de Berlarmino (1964) de Fernando Lopes. Nem
sequer a cidade do Porto de Douro, Faina Fluvial (1931) de Manoel de Oliveira é a
mesma cidade do Porto de O Porto da Minha Infância (2001) do mesmo Manoel de
Oliveira. E, contudo: quanto mais amplo é o escopo das narrativas, tanto mais
expressivo é o perfil dessas cidades imaginadas nas quais a presença da memória,
dos traços de um determinado presente e de um ponto de vista confere o sentido
prospectivo da incursão em cidades imaginárias.
Uma nota final sobre estes Olhares
sobre a Cidade.
Os filmes seleccionados inscrevem-se em diversos episódios da História do
Cinema. Os mais antigos remetem para as vanguardas artísticas dos anos 20 e 30
do século passado, os mais recentes entram pelo século XXI, como sucede com a
obra do canadiano Mike Hoolboom, que tem vindo a
desenvolver um conjunto de instalações nas quais utiliza o cinema e os media enquanto espelho dos indivíduos na sua relação com o mundo
numa visão crítica dos paradigmas emergentes da voragem da mediatização.
Todos obedecem, porém, a um denominador comum: são exemplarmente modernos
porque, enquanto propostas, respeitam a transparência do olhar, rejeitando o
caos das imagens. O mesmo sucede com a obra dos fotógrafos convidados, neste
caso, reflectindo a diversidade da fotografia actual.
Em suma, como resulta da selecção
de filmes e dos projectos fotográficos, bem como do painel dos convidados,
procurou-se abrir espaço a um olhar transversal fundado em saberes
multidisciplinares, cujo denominador comum reside, porventura, nessa razão
utópica de sonhar infinitamente o lugar da Cidade e de quem a habita.
Jorge Campos
Dia 5 de Novembro 2007
14.30 – BMAG
Sessão
de Abertura
Presença de representantes de todas as
instituições envolvidas:
Instituto Politécnico
do Porto
Alliance Française Portugal
. Goethe Institut Portugal Porto
. Curtas Vila do Conde -
Festival Internacional de cinema e Solar Galeria de Arte Cinemática – Vila do
Conde
. Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo
. Curso de Tecnologia da Comunicação
Audiovisual do IPP
Filme de escola (CTCAV):
Latitudes (2007, 12’, DVD) de Andreia Teixeira do Curso de Tecnologia
da Comunicação Audiovisual do Instituto Politécnico do Porto
15.30– BMAG
Apresentação
de Mike Hoolboom por Nuno Rodrigues do Festival Internacional
de Curtas-Metragens de Vila do Conde.
Filme:
Public Lighting (76’, Beta SP) de Mike
Hoolboom
Apresentação de Mike Hoolboom
17.30
– BMAG
Masterclass
Mike Hoolboom
Mike Hoolboom é um cineasta canadiano com enorme prestígio internacional na
área do cinema experimental e de projectos transdisciplinares, tanto do ponto
de vista da criação como da crítica, que tem vindo a desenvolver um conjunto de
instalações nas quais utiliza o cinema e os media enquanto espelho dos
indivíduos e da sua vida no mundo, propondo, numa visão acutilante e crítica,
os paradigmas emergentes da voragem da mediatização da Arte e da Cultura e,
sobretudo, do Cinema e dos Audiovisuais.
21.45
– PM
Filme:
Imitations of Life (75’ Beta SP) de Mike
Hoolboom
Apresentação de Mike Hoolboom
Dia 6 de Novembro 2007
14.30 - BMAG
Filme:
Berlin, Sinfonie einer Großstadt – Berlim, Sinfonia de uma Grande Cidade (1927, 65’, 16 mm) de Walter Ruttmann
Apresentação de Helmut Färber
Helmut Färber
Helmut Färber é um dos mais
influentes críticos de cinema da Alemanha. Nascido em Munique em 1937 estudou
Literatura Alemã e História de Arte. Em 1962 começou a escrever para o jornal
diário alemão Süddeutsche Zeitung e, pouco depois, para a revista Filmkritik. É professor em Berlim na DFFB
(Academia Alemã de Filme e Televisão), bem como em Munique na HFF (Escola de
Ensino Superior de Filme) e no Instituto da História de Arte da Universidade de
Munique. Tem uma vasta obra publicada. Continua a escrever para Filmkritik e, também, para a revista
francesa Trafic.
Berlim,
Sinfonia de um Cidade (1927) de Walter Rutmann é um filme que exalta o
movimento e o dinamismo de uma grande cidade. Numa altura em que a capital
alemã era um verdadeiro laboratório das artes, Ruttmann, um pintor vanguardista, faz esta sua
primeira grande incursão no cinema deixando como legado um filme intemporal,
cuja modernidade continua inquestionável.
Intervalo
Filme:
Berlin, Im Lichtbild der Grossstadt – Berlim,
Imagens de uma Cidade (1998, 82’, 16mm) de Manfred Wilhelms
O filme de Manfred Wilhelms, pintor,
fotógrafo e cineasta, estabelece o contraponto como o filme de Ruttmann.
Realizado em 1995, num momento de acelerada transformação devido à queda do
muro de Berlim, quando grandes obras começaram a alterar profundamente a imagem
da cidade, Wilhelms procurou dar a medida do que estava a acontecer. Fê-lo, no
entanto, permitindo que a cidade se fosse revelando por si mesma. Não se serve
da autoridade de uma voz em off. Limita-se ao registo de sons e imagens sobre os quais
exerce o seu ponto de vista.
Apresentação de Helmut Färber
17.30 – BMAG
Painel
O Cinema e as Cidades:
perspectivas
Vacancy (2001, 13’,
16mm) de Mathias Müller
Brasília a cidade de
superlativos, a cidade moderna, a capital do Brasil. Mas também a cidade
anónima de arquitectura sobredimensional, cujos habitantes parecem perdidos.
Matthias Müller constrói o seu filme a partir de imagens de arquivo e de
cineastas amadores respeitantes à construção de Brasília, às quais sobrepõe
textos de Italo Calvino, Samuel Beckett e David Wojnarowicz sobre a relação do
homem com a cidade.
Participantes:
Paulo Cunha e Silva
Helmut FärberLuís Urbano
Jean-Luc
Antonucci
Arquitecto, Mestre de
Conferências na École Supérieure d'Audiovisuel
(ESAV - Université Toulouse-Le Mirail) e membro do Laboratoire de Recherche en
Audiovisuel (LARA). Especialista em Cinema e Arquitectura
é autor de uma tese de doutoramento sobre a perspectiva e o décor no cinema e
tem publicação dispersa por diversas publicações. Faz parte do corpo
redactorial da Cadrage, a primeira revista
universitária on line de cinema.
Conversador: Jorge Campos
21.45 – PM
Filme :
Paris qui dort (1925, 35’, 35 mm) de René
Clair
É o primeiro filme avant-garde de René Clair e o primeiro
grande filme dadaísta sobre Paris. Albert, o guarda nocturno da Tour Eiffel,
assiste ao espectáculo de uma grande cidade adormecida por acção de um raio
mágico, invenção de um cientista louco. Cinco personagens, que chegam de avião
escapando ao efeito do raio, exploram a cidade e instalam-se na Tour Eiffel. O
conceito de tempo, fundamental na arte Dada, é aqui sabiamente explorado. Os
relógios de Paris pararam às 3.25h. Manipulando o tempo através dos
dispositivos do cinema Clair suspende ou acelera a acção para expor uma outra
imagem da cidade e dos seus habitantes.
Apresentação de Jean-Luc Antonucci
Intervalo
Filme:
Playtime (1967, 115’, 35mm) de Jacques
Tati
A obra-prima de Tati é uma
reflexão bem humorada sobre o nosso tempo, o nosso espaço habitado e o nosso
espaço interior em função desse mesmo espaço habitado. Turistas americanos
aproveitam as vantagens dos vôos económicos para visitar diversas cidades
europeias. Quando desembarcam em Paris constatam que o aeroporto é exactamente
igual do de Roma, as ruas são semelhantes às de Hamburgo e até os candeeiros
são estranhamente parecidos com os de Nova Iorque. Começam a ter contactos com
franceses, entre os quais, evidentemente, o Sr. Hulot.
Apresentação de Jean-Luc Antonucci
Dia 7 de Novembro 2007
14.30
– BMAG
Masterclass
O olhar cinematográfico sobre a cidade:
metamorfoses
Gerard Collas
Foi uma das presenças regulares
na Programação de Cinema da Odisseia nas Imagens do Porto 2001-Capital Europeia
da Cultura. Produtor, crítico cinematográfico com textos publicados em diversas
publicações, especialista do filme documentário Gerard Collas é igualmente o
principal responsável pelo Festival de Cinema Documental de Marselha, um dos
mais importantes da Europa.
Filme:
Aurora (1927, 91’, 35mm) de F. W.
Murnau
Em toda a história dos Óscares da
Academia houve um prémio atribuído uma única vez: “Unique and Artistic
Picture”. A distinção foi para Aurora (1927) o primeiro filme
americano do alemão F.W. Murnau. Em 1967, os Cahiers du Cinema consideravam-no
“a maior obra-prima de toda a história do cinema”. Para François Truffaut era
“o mais belo filme de todos os tempos”. Aurora começa por ser a história de um
triângulo amoroso, mas é igualmente a história do contraste de dois mundos, a
cidade e o campo. A vida tranquila de uma família do campo é posta em causa
pela chegada de uma provocante mulher da cidade. Incapaz de lhe resistir, o pai
de família decide matar a sua mulher a troco da promessa de uma vida cheia de
paixão e aventura. Sendo um thriller psicológico o filme mergulha na
tradição das sinfonias das cidades, de que Berlin de Ruttman e Douro, Faina
Fluvial
de Oliveira, de distintas maneiras, são exemplos, proporcionando uma série de
sequências cinematográficas sem paralelo no modo de traduzir quer a vida do
campo quer a vida citadina.
Apresentação de Gerard Collas
17.30 – BMAG
Filme :
Petit à petit (1971, 96’, DVD) de Jean
Rouch
Este filme é visto habitualmente
como a continuação do filme anterior de Jean Rouch Jaguar. Inicialmente com uma duração de
cerca de quatro horas conheceu diversas alterações até chegar à versão que hoje
circula. A
história é como segue. Damouré,
que dirige com Lam e Illo a sociedade de importação e exportação Petit à
petit, decide construir um
grande edifício na sua aldeia do Niger. Parte para Paris para ver “como se vive numa casa com
andares”. Na capital francesa descobre o curioso modo de viver e de pensar dos
parisienses, que descreve em cartas enviadas regularmente aos seus
conterrâneos. Estes julgam que Damouré está a ficar louco e resolvem enviar Lam
ao seu encontro para se certificar do seu estado de saúde.
Apresentação de Manoel de Oliveira
21.30 – PM
Filme:
Lisbon Story (1994, 100’, 35 mm)
de Wim Wenders
Lisbon Story resultou de uma encomenda a Wim
Wenders de Lisboa 1994 - Capital Europeia da Cultura. O engenheiro de som
Philip Winter recebe um postal dum amigo cineasta com o pedido urgente de vir a
Lisboa para fazer um filme. Winter descobre que o amigo habita a casa onde os
Madredeus ensaiam, mas não há sinal dele. Vendo os rolos de filme que encontra
pela casa começa a gravar os sons da cidade que eventualmente possam vir a
servir o filme. Finalmente, descobre o amigo, que lhe comunica ter perdido a fé
nas imagens. Feito por ocasião do centenário do cinema, contando com a
participação de Manoel de Oliveira, este é um filme no qual o cinema se resgata
a si mesmo. No mundo do mercantilismo e da banalização das imagens, onde tudo
se vende há, ainda, lugar para um final feliz: ao cinema cabe introduzir, lá
onde predomina o caos, uma certa ordem do mundo. Wenders tem, aliás, um livro
intitulado A Lógica das Imagens.
Apresentação de Helmut Färber
Dia 8 de Novembro 2007
14.30 – BMAG
Painel
Fotografar Cidades
Participantes:
Olívia da Silva
Luis Carvalho
Cláudia Fischer
Georges Dussaud
Dussaud é natural de Brou,
próximo de Chartres, onde nasceu em 1934. A fotografia sempre foi um dos seus principais
interesses, mas a sua primeira exposição como profissional só se verificou em
Nantes, em 1978. Tem trabalhado com frequência em Portugal onde concretizou
projectos, por exemplo, sobre as vindimas do Douro, a propósito das quais
publicou um livro, e, mais tarde, sobre a cidade de Lisboa. Em 1986 aderiu à
agência Rapho. Nos últimos anos tem feito incidir a sua atenção sobre o mundo
rural europeu e sobre a Índia.
Conversador: Eric Many
17.30 – BMAG
Filme:
On a Wednesday
night in Tokio (2204, 5’ 35’’ DVD) de Jan
Verbeek
Jan
Verbbeek coloca uma câmara de vídeo fixa diante de uma carruagem do metro de
Tóquio. Quando o metro pára na estação, já a carruagem estava superlotada. Durante 5’ 35’’, o tempo de chegada e o
tempo de partida da carruagem, as pessoas vão entrando.
Filme:
Aufzeichnungen zu Kleidern und Städten – Notebook on Cities & Clothes (1989, 79’, 16 mm) de Wim Wenders
Yohji Yamamoto é um dos mais
célebres designers de moda japoneses, cujo génio criativo se exerce no intercâmbio entre duas
metrópoles: Paris e Tóquio. A câmara de filmar de Wim Wenders acompanha
Yamamoto agindo como criador, trabalhando com modelos, estúdios e passarelles. Mas mostra igualmente a relação
que se estabelece entre os dois homens em momentos de convívio e descontracção.
Daí que neste documentário, a arte de vestir reverta, de certo modo, num
retrato das cidades e suscite uma reflexão sobre o que possa haver em comum
entre a arquitectura, a moda e o cinema.
Apresentação de Helmut Färber
21.45 – PM
Filme :
La Seine à rencontré Paris de Joris Ivens (1958, 31’, 35 mm)
Palma de Ouro do Documentário no
Festival de Cannes de 1958 La Seine a rencontré Paris tem argumento de Jacques
Prévert, narração de Serge Reggiani e realização de Joris Ivens. Este elenco, só por si, dispensaria qualquer
outro comentário. Seja
como for: há um barco que percorre os cais do Sena, artistas que pintam,
freiras que se abraçam, amantes que se beijam, um mergulhador que recupera ao
rio a bicicleta de um rapazinho, gente que pesca, música de acordeão, enfim, é
Paris, c’est la vie.
Apresentação de Gerard Collas
Intervalo
Filme:
Belarmino (1964, 72’, 35 mm) de Fernando Lopes
Com Belarmino Fernando Lopes terá sido o único
cineasta português dos anos 60 a aventurar-se por caminhos próximos do cinema
directo. O filme não é, com
efeito, cinema directo, mas adopta alguns dos seus procedimentos, o que lhe
confere uma singularidade sem paralelo no panorama do Novo Cinema Português. É um corpo a corpo com o antigo boxeur Belarmino Fragoso, homem humilde encadeado pelo sucesso,
até resvalar para a marginalidade da cidade em que sempre viveu, Lisboa. No seu
rosto marcado pelo estigma da pobreza e pelas luvas dos adversários, ele que,
noutro país, até poderia ter sido um grande campeão, acaba em saco de pancada,
figura de tragédia, a ter de viver dos biscates da Lisboa vadia dos anos 60. Belarmino, como diz Bénard
da Costa “é um filme construído sobre o combate de um personagem com um décor,
essa portentosa Lisboa do filme que só pode levá-lo ao K.O. em qualquer round”.
Apresentação de Fernando Lopes
Dia 9 de Novembro 2007
14.30 – BMAG
4 filmes CTCAV do IPP
Selecção de José Quinta Ferreira
Filme:
The Dead Flag Blues de Jorge Oliveira
Duração: 7’
Quando as bandeiras morrem, para
onde vão? Imagética urbana, estruturas verticais que irrompem os céus,
bandeiras nos seus postes, postes de electricidade e a música de Godspeed You! Black
Emperor que deu o nome à curta.
Filme:
Noite Cão de Carlos Amaral
Duração: 17’
Mauro sai para uma festa para
fazer a vontade aos amigos que o tentam animar, mas descobre que há noites em
que mais vale ficar em casa.
Filme :
La Valse de Lumière de Ana Maia
Duração: 4’12’’
Um sexagenário solitário vagueia
pela noite de uma feira de divertimentos. A feira está vazia, mas por entre
girândolas de cor tudo funciona, absurdamente.
Filme:
Miguel Bombarda nº 588 de Cláudia Santos
Duração: 8’22’’
Situada no centro da cidade do
Porto, a rua de Miguel Bombarda é muito conhecida principalmente pelas suas
galerias de arte. No entanto, existe muito mais para além disso. Existem vidas
e ofícios que perduram mesmo depois de surgirem as galerias. É um desses
ofícios, e uma dessas vidas que vamos visitar.
Intervalo
Visões Úteis: A Caminho do Resto do Mundo
Apresentação de Catarina Martins
A partir de Heart of Darkness de Joseph Conrad a
companhia Visões Úteis realizou a peça Resto do Mundo, um
espectáculo que atravessa o Porto. O filme documentário A Caminho do Resto
do Mundo (2007) parte do cruzamento entre o registo da peça e o resultado de um workshop realizado na
Fundação de Serralves com oito jovens dos bairros de S.João de Deus, Lagarteiro
e Cerco do Porto, durante o qual os participantes foram desafiados a filmar, em
formato em Super 8, a sua visão pessoal dos seus bairros de pertença. O actor Pedro Carreira interpreta um trecho do texto do
espectáculo: o início da descida de Marlow, a perturbante personagem de Joseph
Conrad, à profundeza das trevas. Uma introdução ao vivo para o filme de Pedro
Maia.
Filme (ante-estreia nacional):
A Caminho do Resto do Mundo (2007, 25’,Vídeo) de
Pedro Maia
Marlow relata a sua
viagem, rio acima, na direcção do mais remoto dos entrepostos comerciais. À
medida que sobe o rio confronta-se, de forma violenta, não só com as trevas que
pressente para lá das margens, mas, sobretudo com aquelas que vai cartografando
no coração dos homens. Evocando a recordação de Marlow, um taxista erra pela
cidade ao encontro das suas trevas.
Apresentação de Pedro Maia
17.30 – BMAG
Painel
Cinefotografia do Porto: olhares cruzados
Participantes:
Sérgio C. Andrade
Abi Feijó
Virgílio Ferreira
Maria do Carmo Serén
Conversador: Miguel
von Hafe Pérez
Filme:
História Trágica com Final Feliz (2006) de Regina Pessoa
Este
é o filme português mais premiado de todos os tempos. Já leva mais de 50
prémios muitos dos quais obtidos nos melhores festivais do mundo. Sobre
História Trágica com Final Feliz diz Regina Pessoa: “Seguimos uma menina e
descobrimos que ela não é igual às outras pessoas, é “diferente”. O traço que a
faz diferir não só incomoda a comunidade a que pertence, como se traduz por um
profundo sofrimento individual. A comunidade e a menina reagem à diferença, a
primeira manifestando a sua intolerância, a segunda isolando-se. Com o tempo, a
comunidade acaba por habituar-se insensivelmente à presença da diferença,
distanciando-a, mas ao mesmo tempo integrando-a na voragem do seu quotidiano.
Porém as diferenças existem, persistem e são irredutíveis. Certas vezes possuem
razão de ser e correspondem a estados temporários de trânsito para outros
estados de existência, certas vezes são fatais... Seja como for, devem ser
assumidas por quem as vive para a levarem a um melhor conhecimento de si
própria e a uma mais intensa consciência do mundo. Um dia partirá e deixará a
comunidade, que compreenderá, demasiado tarde, que o tal ser estranho que
sempre mantivera à distância, tinha acabado por fazer misteriosamente parte da
sua vida...”
21.30 – PM
Dois Filmes de
Manoel de Oliveira:
Douro, Faina Fluvial (1931, 18’, 35 mm)
Porto da Minha Infância (2001, 62’, 35 mm) de Manoel
de Oliveira
Apresentação de Manoel de Oliveira
Filme:
Douro, Faina Fluvial (1931, 18’, 35 mm)
Douro, Faina Fluvial de Manoel de Oliveira
opera a metamorfose do material pró-fílmico do quotidiano da zona ribeirinha do
Porto numa obra de vanguarda sem equivalente no cinema português. O filme
inscreve-se na tradição das sinfonias das cidades de que Rien que les
Heures
de Cavalcanti, Berlim de Ruttmann e O Homem da Câmara de Filmar de Vertov são
paradigmáticos, e reverte numa reflexão sobre o próprio cinema. O filme começa
e acaba, aliás, com a luz de um projector, que se verifica depois ser um farol
à entrada do rio, o qual evoca metaforicamente os mecanismos cinematográficos.
Esse artifício seria retomado 70 anos mais tarde em O Porto da Minha
Infância
(2001). Oliveira, então com 23 anos, viu o seu filme ser elogiado por Lopes
Ribeiro, pateado pelo público, demolido por parte da crítica e proclamado
obra-prima por alguns críticos estrangeiros. Hoje, Douro, Faina Fluvial é um filme de carácter
monumental, indissociável da memória da cidade do Porto.
Filme:
Porto da Minha Infância (2001, 62’, 35 mm) de Manoel de Oliveira
Este
filme resultou de uma encomenda a Manoel de Oliveira por parte da Odisseia
nas Imagens do
Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura. Ao nome de Manoel de Oliveira está
associada toda a história do cinema português e, em particular, a história do
cinema feito no Porto, cuja memória a Odisseia das Imagens pretendeu recuperar,
conferindo-lhe um sentido prospectivo. A encomenda, para além da homenagem ao
cineasta, tinha o papel simbólico de representar o renascimento da produção do
filme documentário feito a partir da cidade. O Porto da Minha Infância foi a obra de maior relevância
produzida no âmbito da Programação de Cinema da Capital Europeia da Cultura. No
filme, Oliveira regressa à sua cidade natal 70 anos depois de Douro, Faina
Fluvial. Mas,
desta vez, filma uma cidade que apenas existe na sua memória. O assombroso
plano inicial de um maestro de costas para o público dirigindo uma orquestra
invisível anuncia isso mesmo. Depois é um mergulho na memória e a descoberta de
uma cidade mágica, porque é a cidade revelada da infância e juventude de
Oliveira, como ele e viveu e como ele a viu.
Dia 10 de Novembro 2007
21.30 – PM
Filme Concerto: Lisboa,
Crónica Anedótica de Leitão de Barros
Flak Ensemble
Flak (Programações e teclados),
Filipe Valentim (Piano), Viviena Tupikova (Violino), Abel Gomes (violoncelo), e
Diogo Faro (Clarinete)
Filme:
Lisboa, Crónica Anedótica (1930, 85’, 35 mm) de Leitão
de Barros
Este filme concerto foi comissionado pelo Lisbon
Village Festival, tendo tido a sua estreia no Forum Lisboa dia 22 de junho de
2007.
A obra teve a sua estreia oficial
em 1930 e oferece ao público uma visão da cidade que se respirava na altura.
Apesar de este ser o mais autêntico documentário feito até hoje sobre a Capital
é também uma fita onde aparecem os maiores actores da época do Teatro e do
Cinema de Portugal (Nascimento Fernandes, Beatriz Costa, Vasco Santana, Eurico
Braga, Chaby Pinheiro, Estevão Amarante, Josefina Silva, Eugénio Salvador,
Adelina Abranches, Costinha, Alves da Cunha…). Todos eles interpretam
personagens típicas de Lisboa, misturadas com as figurais reais do quotidiano
da cidade. Esta convincente articulação de realidade e ficção, de linguagem
documental e fantasia, fazem desta obra um caso sério de inovação. Lisboa,
Crónica Anedótica faz-nos respirar e sentir o pulsar de capital portuguesa no final dos anos
20.
Exposição de Fotografia
BMAG 5 a 10 de
Novembro
Fragmentos
da rodagem de Lisbon Story (1994) de Cesário Alves
Cesário Alves
Master em Art & Design, especialização em
fotografia da University of Derby (Reino Unido), 1998-2001. É docente
(disciplina de fotografia) no Curso de Tecnologia da Comunicação Audiovisual do
Instituto Politécnico do Porto desde 2001. Produz e expõe regularmente
fotografia documental desde 1994. Entre as suas exposições mais recentes,
contam-se: "1999", exposição individual, Muuda, Porto, 2007; "Adriano,
Ensaio Fotobiográfico", exposição individual, Solar, Galeria de arte cinemática,
Vila do Conde, 2006; "Superturismo", exposição individual, Galeria
Imagolucis, Porto 2004; . "Superturismo", exposição individual, Casa
das Artes de Famalicão, 2004; "Passageira mente" exposição colectiva
na sala museu do ISEP, integrada no fórum Tecnologia Arte e Consciência, 2004.
Wenders estava a rodar Lisbon Story tendo,
por isso, recusado um convite do festival de Vila do Conde para estar presente
numa retrospectiva do seu trabalho. Aproveitei a oportunidade para ir até
Lisboa capturar o ambiente das filmagens com o intuito de o poder mostrar em
Vila do Conde. Fui bem recebido, mas Wim Wenders não me deu acesso ao coração
da rodagem, os interiores do palácio de Belmonte, no pátio de D. Fradique,
colina do Castelo de S. Jorge. Ele e a mulher, Donata Wenders, fazem todas as
fotografias de rodagem, de sets e de réperages e
publicam-nas frequentemente. Daí as suas reservas. Em todo o caso, houve espaço
para estes fragmentos.
Cesário
Alves
Tema da Comunicação de Olívia Silva no Painel
Fotografar Cidades
8/2
Olívia da Silva
Doutorada em Fotografia pela
Faculdade de Arte e Design da Universidade de Derby, no Reino Unido, Olívia da
Silva é Coordenadora do Mestrado de Comunicação Audiovisual e das Licenciaturas
de Audiovisual e Mutimédia do Instituto Politécnico do Porto. Expõe
regularmente em Portugal e no Estrangeiro. Entre os seus projectos fotográficos
de retrato contam-se 8/2, Cabbage and Kings, Trace and Memory; Vai à Janela, Niort Marketplace e In the net. É autora e co-autora de obras
de Investigação sobre Representação Fotográfica e Identidades Pessoais e
Profissionais. Desenvolve actualmente um projecto académico no Departamento de
Investigação de Newport, Reino Unido e em Portugal.
8/2 de Olívia da Silva
Ano: 1997
Locais: Portugal e Reino Unido
Exposto em 1997
De repente,
encontramo-nos frente a frente com os personagens principais de um dos mais
fascinantes lugares do mundo, em qualquer contexto cultural: o mercado. Lugar
que aguça os sentidos : os rostos, os pregões, os cheiros, as cores, o bulício,
confundem-se e sobrepõem-se de forma estonteante.
A pós-modernidade fabrica
não-lugares, como define Marc Augé, lugares sem identidade e sem história dos
serviços automáticos e dos cartões de crédito, lugares de comércio mudo, de
intermediações anónimas paradoxalmente rotuladas de serviço personalizado.
Não há nada mais radicalmente
oposto a estes não lugares que os mercados. Fazedores de cidades e de rotas,
ocupando cruzamentos e praças, lugares em que os homens se encontram, se
misturam, trocam.
No mercado bate o coração da
cidade sem folclore nem cerimónia. No não-lugar é preciso meter o cartão ou
comprar o bilhete para pagar o serviço e receber o respectivo sorriso contido.
Ao isolar as vendedeiras num
cenário despojado, Olívia da Silva fixa rostos, indumentárias, mas também o
vinco do carácter. Faz delas personagens centrais, desta representação
diariamente reposta. Lembra-nos que são as pessoas que fazem os lugares, as
identidades e as memórias. Os não - lugares são outros.
DIAPORAMA
BMAG 5 a 10 de
Novembro
25
Frames # 1 Segundo
Alunos do 2º ano de
TCAV
Coordenador: João Leal
FORA de HORAS
Dia 9 de Novembro 2007
24.00
– PM
A Cidade
DiscJockey: Alex The Fool ( PsP_Progressive Sounds
of Porto)
VideoJockey: Playgirl
O tema A Cidade
remete-nos para uma infinita possibilidade sonora e visual que todos nós
inconscientemente identificamos facilmente, transpondo-nos de imediato para uma
realidade urbana que nos pertence e que da qual fazemos parte. O conceito é
tentar passar por essa realidade, transpondo para dentro de um espaço fechado
esse despertar inconsciente do público, a partir da desconstrução sonora e
visual do que é a vida frenética e atordoada de uma
Cidade, do seu passado e do seu presente, contando, para o efeito, com uma
instalação de vídeo a partir de duas telas de projecção e dois plasmas.
Dia 10 de Novembro 2007
24.00 - Pitch Club
Phil Stumpf
Phil Stumpf é um artista de rara e intensa
dinâmica, merecendo o destaque e atenção de todos os amantes da música. Nascido
em Berlim no início da década de 70 optou por viver estes últimos anos na
cidade de Paris. Durante o curso de Medicina que tirou na Alemanha, deu início
à experimentação como DJ e produtor, mas foi já em Paris, através das lendárias
festas MINIMAL DANCING no Nouveau Casino, organizadas em conjunto com Sam Rouane - com quem
partilha também o projecto DUPLEX 100 - que Phil Stumpf abriu portas à sua brilhante carreira.
A sua actividade musical não se esgota, contudo, na cena clubbing, já que
integra o elenco de várias bandas, de entre as quais se destaca a banda
electrónica alemã OH!, na qual concentra actualmente toda a sua criatividade e energia. No entanto,
a ambição como músico ultrapassa os parâmetros criativos, encetando uma
empenhada actividade na qualidade de organizador de eventos, como é o caso do FESTIVAL
MUSIC-ALLEMAND,
um festival de música alemã realizado anualmente em Paris, e do DEUTSCH MINIMAL, um programa criado pelo Goethe
Institute para a divulgação da sonoridade minimal fora da Alemanha no qual
colabora enquanto director artístico. Associado às editoras OUT OF ORBIT, FROZEN NORTH, MOON HARBOUR, TRENTON, FRANKIE REC, nos seus DJ-sets revela uma
apaixonada atitude funk, entendida na sua perspectiva mais minimal. Ninguém
fica indiferente à sua estética, uma inteligente combinação de funk
com minimal, responsável pelas noites de dança mais
memoráveis.
Contactos:
IPP
Goethe Institut
Alliance Française Portugal
Inquérito IRI
1.
Quando e como começou este projecto?
Este
ciclo de Fotografia e Cinema Documental principiou há 4 anos. Tratou-se de
lançar uma iniciativa que não só permitisse projectar a imagem do Curso de
Tecnologia da Comunicação Audiovisual (CTCAV) do IPP, reforçando a sua ligação
ao exterior, mas também que fosse preparando terreno para opções especializadas
tendo em vista a adaptação à Declaração de Bolonha, nomeadamente quanto aos
mestrados profissionalizantes dos quais então começava a falar-se. Uma das
preocupações foi, naturalmente, incluir as Imagens do Real Imaginado nos planos
curriculares. Outra, a de internacionalizar o evento desde a primeira edição,
na qual esteve presente o Curso de Ciências da Comunicação da Universidade de
Santiago de Compostela através da sua decana Margarida Ledo Andión, aliás, ela
própria uma documentarista. Em edições posteriores, entre outros, estiveram
representantes do curso de audiovisuais de Toulouse e realizadores com Jose
Luis Guerín, Rahul Roy e Mercedes Alvarez. A expectativa é a de aprofundar este
tipo de contactos tendo em vista o funcionamento dos mestrados.
2.
Quais as diferenças entre o plano para este ano e o plano do ano passado?
Do
ano passado para este ano há óbvio um crescimento das Imagens do Real
Imaginado. Essa tem sido, aliás, uma das características das iniciativas do
CTCAV, como ainda recentemente se verificou com a exposição Take Way, realizada
em parceria com o curso de design da ESEIG do IPP, na Biblioteca Almeida
Garrett que teve mais de 3.000 visitantes. Também não deixa de ser
significativo que o número de candidatos ao curso mais do que decuplique o
número de vagas. Quanto ao ciclo passa a desenvolver-se em dois espaços, a
Biblioteca Almeida Garrett e o Cinema Passos Manuel, e aproxima-se de um modelo
testado com êxito no Porto 2001-Capital Europeia da Cultura, a Odisseia nas
Imagens. Muitos dos convidados destes Olhares sobre a Cidade foram, de resto,
participantes regulares nessa iniciativa como Manoel de Oliveira, Fernando
Lopes, Abi Feijó ou Gérard Colas. Outros foram mesmo programadores da Porto
2001, casos de Paulo Cunha e Silva e Miguel Von Hafe Pérez. Acresce que, desta
vez, há parcerias com a Alliance Française do Porto e com o Goethe Institut
Portugal do Porto, que deverão ter continuidade. O ano passado o ciclo já
contou, como também conta este ano, com a colaboração do Festival de Vila do
Conde.
3.
Quais são as perspectivas para o próximo ano relativamente a este evento?
Envolver
um número ainda maior de parceiros, quer a nível nacional quer internacinal,
nomeadamente tendo em vista criar condições de produção de nível profissional
para efeito da concretização dos mestrados. Por outro lado, em todos os ciclos
e iniciativas já realizados houve sempre a preocupação de apresentar trabalhos
de estudantes. No caso do Take Way, por exemplo, todos os trabalhos
fotográficos e videográficos eram exclusivamente da autoria dos alunos.
Procuramos apontar para a excelência, mas sabemos que esse percurso leva o seu
tempo, isto apesar de muitos dos trabalhos produzidos no âmbito da nossa escola
terem sido premiados em múltiplas ocasiões. O próximo ciclo será, portanto,
mais uma etapa desse percurso, certamente ainda mais ambicioso, e procurando
lançar raízes para se transformar numa referência da vida cultural na cidade do
Porto.
Jorge Campos
Programador
IMAGENS DO REAL IMAGINADO
Ciclo de fotografia e cinema documental
3ª
edição
6 a 10 de Novembro
de 2006
Cinema Passos
Manuel
Porto
Gustav Deutsch World Mirror Cinema (WELT SPIEGEL KINO), episodio
3: Cinema São Mamede Infesta / Porto / 1930
O Mundo
Começamos pelo fim. O Mundo, um filme do cineasta Jia Zhang-Ke, é uma metáfora da
China de hoje. Construído a partir do parque temático de Pequim com o mesmo
nome e no qual é possível encontrar réplicas de grandes dimensões de monumentos
como o Big Ben, a Torre Eiffel, a Estátua da Liberdade ou as pirâmides do
Egipto, o filme aborda a trama de relações que se vão fazendo e desfazendo
entre as diversas personagens que, por qualquer razão, partilham aquele espaço
que no espaço do ecrã adquire uma espécie de ressonância surreal. E, surreal, porquê? Porque a realidade
do parque, pretendendo ser uma representação tangível desse outro mundo
exterior que ao longo dos séculos foi impondo a sua marca cultural e civilizacional
corresponde, afinal, neste caso, no plano simbólico, à distância onírica que
separa o valor de ambas as faces de uma mesma moeda: de um lado, a imagem de um
país, a China, onde o crescimento e a modernização não têm paralelo na história
recente da humanidade; do outro, a imagem de uma sociedade, a chinesa,
aturdida, dividida entre o choque da competitividade e o peso de uma tradição e
cultura milenares.
O que parece ser norma do processo de globalização,
tal como o vamos conhecendo, é a aplicação de um modelo economicista de
desenvolvimento, ou seja, o entendimento da economia como um valor em si mesmo
e não como pilar de uma organização social cuja prioridade é o homem e o seu
bem estar. Este modelo necessita, naturalmente, de um outro, no plano
simbólico, por forma a operar um efeito de legitimação. Para autores como
Chomsky é justamente essa a função do sistema de media que opera à escala global. A ele competiria definir
as estratégias de sedução e as ilusões necessárias de modo a induzir os consentimentos necessários. Nada, porém, é linear. Pelo contrário, o sistema é
em si mesmo contraditório e, como tal, está sujeito a episódios de
disfuncionalidade, eventualmente irreversíveis. São características das
mensagens dos media, por um lado a
entropia e, por outro, aquilo que numa leitura pós-moderna remete para a
emancipação do significado na sua relação com o real. No primeiro caso, é
requerida alguma forma de capacidade de organização da informação, no segundo,
há o inconveniente de a determinada altura a historicidade entrar em conflito
com as suas representações.
É justamente neste ponto que encaixa Good Night,
and Good Luck de George Clooney. Ao
recuperar um mito americano, a liberdade de informação, através de um episódio
célebre da história do jornalismo protagonizado pela figura lendária de Edward
R. Murrow, Clooney está mais interessado em questionar os dispositivos e as
rotinas actuais da produção das notícias na televisão dos Estados Unidos, do
que, propriamente, em fazer ressuscitar a “caça às bruxas” do senador Joseph
McCarthy. Ou melhor, as inquirições de McCarthy e a coragem demonstrada por
Murrow, mesmo perante a ambígua pressão dos seus patrões da CBS, são apenas
sinais de alerta para a situação que ameaça, hoje, gerar uma atmosfera de
desinformação globalizada, a qual tem na propaganda e no infotainment as suas manifestações mais perversas.
Neste contexto, The City Beautiful, o documentário do cineasta indiano Rahul
Roy, surge como uma peça de resistência. A elucidação que faz da vida de duas
famílias de tecelões da periferia de Nova Deli, num registo de observação não
intrusivo, corresponde ao retrato de uma exclusão social cujos efeitos são
simplesmente implosivos, mas cuja visibilidade é praticamente nula ou tratada
em termos de faits divers nos media
de grande difusão. O mesmo poderia dizer-se de El Cielo Gira de Mercedes Alvarez, uma peregrinação da
cineasta ao lugar de origem, Aldealseñor, pequena aldeia de Soria agora
reduzida a 14 habitantes e um pintor. Aldealseñor e a sua História de mil anos,
em breve, irão desaparecer sem deixar testemunhas. Em qualquer dos casos, com
Roy ou Alvarez, o tema é ainda o nosso mundo. Esse mesmo de cujas
representações também já tivemos conhecimento no interior de antigas salas de
cinema - lugares de mistérios, fantasmagorias e revelações - revisitadas nos
filmes experimentais do austríaco Gustav Deutsch numa espécie de corpo a corpo
com a memória ou, se quisermos, num combate contra a rarefacção simbólica que
parece afectar o nosso tempo.
Finalmente,
numa outra perspectiva, Mark Durden toma como ponto de partida a obra de dois
fotógrafos contemporâneos, Paul Seawright e Luc Delahaye, para reflectir sobre
os caminhos da arte e do fotojornalismo. No caso de Seawright propõe-se fazer
uma leitura do seu trabalho no Afeganistão, Hidden, uma encomenda do Imperial War Museum de Londres.
Quanto a Luc Delahaye, procurará fixar o olhar numa série de fotografias
panorâmicas e sobre acontecimentos da actualidade mundial que passam igualmente
pelo Afeganistão, mas, também pela guerra ao Iraque. A guerra e o saque, a
cujas representações, muitas vezes, está associado um toque de luxo e glamour, são, afinal, sinais dos tempos.
Que mundo globalizado, então, é este em que vivemos?
Quais as suas representações? Como lidar com a construção da realidade e com os
seus artifícios? Quais os limites da Fotografia e do Cinema Documental ou, dito
de outro modo, até onde vão os seus poderes de revelação do real?
O ciclo Imagens do Real Imaginado – O Mundo, mais do que dar respostas propõe-se motivar a
interpelação, suscitar dúvidas e, se possível, pela via da surpresa, seduzir e
gerar perplexidade: não será esse o processo mais estimulante para induzir a
vontade de conhecimento, seguindo os labirintos cuja exploração também passa
pelo prazer do texto?
Novembro, 2006.
Jorge Campos
6 de Novembro
14h.30
Masterclass de Jorge
Campos
“De
Edward R. Murrow à invasão do Iraque: uma digressão sobre o cinema informativo
e o documentário político na América”
17h.30
“Boa Noite, e Boa Sorte”
(Good Night, and Good Luck)
2005, EUA/RU, 90 min
Realização: George Clooney
Com: David Strathairn, George Clooney, Robert Downey Jr, Patricia
Clarkson, Jeff Daniels e Frank Langella
21h.30
“Boa Noite, e Boa Sorte”
(Good Night, and Good Luck)
2005, EUA/RU, 90 min
Realização: George Clooney
Com: David Strathairn, George Clooney, Robert Downey Jr, Patricia
Clarkson, Jeff Daniels e Frank Langella
7 de Novembro
14h.30
“O Céu Gira”
(El Cielo Gira)
2004, Espanha,
110 min
Realização:
Mercedes Alvarez
Com: Pello Azketa e os
habitantes de Aldealseñor
17h.30
Masterclass de Mercedes Alvarez
(Espanha)
“El Turista y el Viagero”
21h.30
“O Céu Gira”
(El Cielo Gira)
2004, Espanha,
110 min
Realização:
Mercedes Alvarez
Com: Pello Azketa e os
habitantes de Aldealseñor
8 de Novembro
14h.30
Masterclass de Rahul Roy (India)
“My personal search for meaning”
17h.30
“The City Beautiful”
2003, India, 78 min
Realização/câmara: Rahul Roy
Editor: Reena Mohan
Sound:
Asheesh Pandya
21h.30
“The City Beautiful”
2003,
India, 78 min
Realização/câmara: Rahul Roy
Editor: Reena Mohan
Sound: Asheesh Pandya
9 de Novembro
(em colaboração com Curtas metragens CRL/Solar Galeria de
Arte Cinemática - Vila do Conde e a Faculdade de Belas Artes da Universidade do
Porto)
14.30
Masterclass de Gustav Deutsch (Austria)
“FILM IST”
17h.30
World Mirror Cinema
(WELT SPIEGEL KINO)
2005,
Austria, 93min
Realização: Gustav Deutsch
Música de Burkhard Stangl
e Christian Fennesz
episodio 1: Kinematograf Theater Erdberg / Viena / 1912
episodio 2: Apollo Theater / Surabaya / 1929
episodio
3: Cinema São Mamede Infesta /
Porto / 1930
21.30
World Mirror Cinema
(WELT SPIEGEL KINO)
2005,
Austria, 93min
Realização: Gustav Deutsch
Música de Burkhard Stangl
e Christian Fennesz
episodio 1: Kinematograf Theater Erdberg / Viena / 1912
episodio 2: Apollo Theater / Surabaya / 1929
episodio
3: Cinema São Mamede Infesta /
Porto / 1930
10 de Novembro
14h.30
Masterclass de Mark Durden (Inglaterra)
Documentário
Fotográfico Artístico (Paul Seawright e Luc Delahaye)
17h.30
“O Mundo” (SHI JIE) -
2004, CHINA, 133 min
Realizador: JIA Zhang-ke
Com: Zhao Tao, Chen
Taisheng, Jing Jue, Jiang Zhongwei, Wang Yiqun, Wang Hongwei, Liang Jingdong, Xiang Wan, Liu Juan
21h.30
“O Mundo” (SHI JIE) -
2004, CHINA, 133 min
Realizador: JIA Zhang-ke
Com: Zhao Tao, Chen
Taisheng, Jing Jue, Jiang Zhongwei, Wang Yiqun, Wang Hongwei, Liang Jingdong, Xiang Wan, Liu Juan
SINOPSES
DOS FILMES
“Boa Noite, e Boa Sorte”
(Good Night, and Good Luck)
2005,
EUA/RU, 90 min
Realização: George Clooney
Com: David Strathairn,
George Clooney, Robert Downey Jr, Patricia Clarkson, Jeff Daniels e Frank
Langella
A
acção de “Boa Noite, e Boa Sorte” decorre na América do início dos anos 50
quando o documentário jornalístico de televisão dava os primeiros passos com
Edward R. Murrow em See it Now e a
“caça às bruxas” do Senador Joseph McCarthy atingia o paroxismo. Murrow e o seu
amigo e produtor Fred Friendly decidem investigar os métodos de McCarthy e
preparam uma emissão sobre o assunto. Desafiando as pressões, aliás, ambíguas,
da direcção da CBS, bem como as ameaças dos patrocinadores da retirada de
financiamentos, Murrow e a sua equipa, enfrentando o medo das represálias,
fazem uma série de quatro emissões que ficariam para a história do jornalismo
americano. McCarthy não caiu só por causa de See it Now, mas o programa contribuiu seguramente para o levar a
responder perante o Senado e para liquidar as suas aspirações políticas. Feito
num registo quase documental, com uma extraordinária fotografia a preto e
branco, “Boa Noite, e Boa Sorte” reproduz com fidelidade o que foram esses
tempos de alucinação persecutória, bem como a primeira grande batalha travada
na televisão americana em nome de um jornalismo independente.
“O Céu Gira” (El Cielo Gira)
2004,
Espanha, 110 min
Realização:
Mercedes Alvarez
Com:
Pello Azketa e os habitantes de Aldealseñor
Na Aldealseñor, uma aldeia de Soria, restam hoje 14 habitantes.
São a última geração, depois de mil anos de História interrompida. Hoje, a vida
continua. Em breve, vai extinguir-se sem deixar testemunhas. Os vizinhos da
aldeia e o pintor Pello Azteca partilham algo: as coisas começaram a
desaparecer diante dos seus olhos. A narradora volta então às suas origens e
assiste a esse final, ao mesmo tempo que procura recuperar a primeira imagem do
mundo: a da infância.
“The City
Beautiful”
2003, India, 78
min
Realização/câmara:
Rahul Roy
Editor: Reena
Mohan
Sound:
Asheesh Pandya
Sunder Nagri (Cidade Bela) é uma pequena colónia
operária nas margens da capital da Índia, Deli. As famílias aqui residentes
são, na sua maioria, oriundas de uma comunidade de tecelões. Nos últimos dez
anos, por efeito da globalização, assistiram a uma gradual desintegração da
tradição do tear manual. As famílias vêem-se obrigadas a enfrentar a mudança
bem como a reinventar-se para subsistir. The City Beautiful é, assim, a
história de duas famílias que se debatem para dar sentido a um mundo que
insiste em empurrá-las para as suas margens. Radha e Bal Krishan encontram-se num
momento crítico da sua relação. Bal Krishan não tem trabalho suficiente e é
constantemente enganado. O motivo da discórdia é o facto de Radha trabalhar
fora de casa. Contudo, no meio dos momentos altos e baixos, conservam a
capacidade de rir. Shakuntla e Hira Lal pouco comunicam. Vivem debaixo do mesmo
tecto com os filhos, mas são prisioneiros das suas próprias tragédias pessoais.
World Mirror Cinema (WELT SPIEGEL KINO)
2005,
Austria, 93min
Realização:
Gustav Deutsch
Música de Burkhard Stangl e Christian Fennesz
episodio 1: Kinematograf Theater Erdberg / Viena / 1912
episodio 2: Apollo Theater / Surabaya / 1929
episodio 3: Cinema São Mamede Infesta / Porto / 1930
WELT SPIEGEL KINO (O MUNDO ESPELHA O CINEMA) – o título desde logo sugere
o seu conteúdo: a reflexão mútua sobre a realidade do mundo e o mundo do
cinema.
Sequências documentais encontradas dos primeiros
tempos da cinematografia oferecem um ponto de partida em que o cinema é objecto
de auto-reflexão: registos cinematográficos mostrando cinemas nos seus
ambientes urbanos – incluindo a vida nas ruas, os transeuntes, circunstantes
curiosos e as suas reacções à câmara. O segundo ponto de partida compreende os
filmes que fazem parte da programação destes cinemas e os títulos destes filmes
que vemos nos cartazes publicitários dos cinemas.
WELT SPIEGEL KINO – permite que a
realidade da rua à porta dos cinemas e o mundo do cinema entrem num diálogo
cinemático. Personagens individuais, que são representativos de uma posição
social idealizada, são arrancados ao fluxo dos transeuntes. Estes personagens
são apresentados em retratos fictícios compilados a partir de materiais de
arquivo dos mesmos lugares e época. Estes retratos proporcionam um contraponto
aos protagonistas individuais dos filmes – que estão a ser passados nos cinemas
respectivos – sob a forma de uma citação de filme.
“O Mundo” (SHI JIE)
2004, CHINA, 133 min
Realizador: JIA Zhang-ke
Com: Zhao Tao, Chen Taisheng, Jing Jue, Jiang
Zhongwei, Wang Yiqun, Wang Hongwei,
Liang Jingdong, Xiang Wan, Liu Juan
Tao está a viver um sonho no World Park, um lugar onde os visitantes podem ver monumentos
internacionais famosos sem terem de deixar os subúrbios de Pequim. A bela e
jovem dançarina e as suas amigas executam, diariamente, no parque, espectáculos
com temas sumptuosos, entre réplicas do Taj Mahal, da torre Eiffel, da Praça de
São Marcos, do Big Ben e das Pirâmides do Egipto. Tao e o seu namorado,
Taisheng, que trabalha como segurança no parque, mudaram-se há alguns anos para
a cidade grande vindos das províncias do Norte. O seu relacionamento entrou
agora numa encruzilhada. Taisheng apaixonou-se por Qun, uma designer de moda
que conhece numa viagem de regresso a casa. As companheiras de Tao têm as suas próprias viagens
sentimentais. Xiaowei questiona o seu futuro com o seu namorado irresponsável,
Niu. Entretanto, Youyou usa o romance como vantagem para as suas ambições
profissionais. Nem todos os que vêm para Pequim conseguem arranjar um emprego
onde os jogos de SMS sejam aceites como parte da vida diária. Muitos, como o
artífice Erxiao, experimentam uma realidade muito mais dura. Mas, apesar do
divertimento e da magia, mesmo os microcosmos do parque são vulneráveis à
mudança. Para Tao e os que estão em torno dela, haverá casamentos e separações,
lealdades e infidelidades, alegrias e tragédias. No meio de toda esta trama de
relações pessoais, O Mundo, afinal, não é mais do que uma metáfora da China
actual, um imenso país de tradições seculares perante o impacto de um
crescimento sem precedentes na era da globalização.
SINOPSES DAS MASTERCLASSES
Masterclass de Jorge Campos (Portugal)
“De Edward R. Murrow à invasão do Iraque: uma
digressão sobre o cinema informativo e o documentário político na América”
O cinema informativo ocupa um lugar
importante e, muitas vezes, negligenciado na História do Cinema. Citzen Kane de Orson Welles começa com uma
paródia a March of Time, newsreels que influenciaram fortemente o
filme documentário dos anos 30 e 40 e muitos dos seus praticantes, entre os
quais, John Grierson. Este cinema informativo podia ser frívolo, formalmente
descuidado e até recorrer, amiúde, a falsificações. Zelig de Woody Allen tem a ver com tudo
isso. Mas, também soube elevar-se a outros patamares, mesmo quando surgiu
abertamente ligado à propaganda pela mão de mestres como Capra, Ford, Wyler ou
Huston, para citar apenas alguns. No início dos anos 50, enquanto os cineastas
franceses se batiam por um cinema de autor de forte ressonância poética e
criativa, na América o documentário entrava na televisão pela mão de Edward R.
Murrow e ajustava-se, não apenas às características do medium, mas também ao conceito de
objectividade que serve às rotinas de produção das notícias. Em plena “caça às
bruxas”, Murrow afronta o senador McCarthy, e vence. Mas, a partir de então, o
documentário jornalístico americano, ao invés de prosseguir uma via atenta,
criativa e acutilante, institucionaliza-se e serve fundamentalmente para
legitimar a ideologia da Guerra Fria veiculada a partir da Casa Branca. Os
campeões do cinema directo dos anos 60 ainda acreditam na possibilidade de um
novo tipo de jornalismo televisivo, mas em breve se desiludem. Seria fora da
televisão que fariam os seus melhores filmes. Com Wiseman e o seu método de
observação algo de verdadeiramente diferente voltou a acontecer. A partir de
então, o documentário americano foi assumindo uma grande variedade de formas e,
no âmbito do cinema independente, tem vindo a produzir múltiplas obras de
enorme contundência política. Ironicamente, o grande responsável por este surto
parece ser George W. Bussh. O meu método de exposição basear-se-á,
fundamentalmente, no comentário a excertos de filmes que exemplificam este
percurso.
Masterclass de Mercedes Alvarez (Espanha)
“El Turista
y el Viagero”
Existen, entre
otras, dos formas de hacer un documental. Del mismo modo que existen dos formas
de realizar un viaje, como un turista o como un viajero. El turista tiene todos
los preparativos hechos. Sabe las cosas que verá, como y en qué momento, y las
cosas que sentirá. Su viaje preparado y su viaje realizado son el mismo. El
viajero no sabe lo que encontrará, sale a la deriva. No sabe de un modo claro
lo que busca. Debe extraviarse y dar un rodeo para encontrarlo.
Masterclass de Rahul Roy
(India)
“My personal search for meaning”
The documentary as
I see it is my personal search for meaning through forging unusual filmic
relationships that reveal as much the world to me as me to the world. It
is a conscious decision to enter territories of thoughts, dreams and silences
that form the everyday but yet are stories of great tragedies and loss. It has
been suggested that the documentary is an empirical art form. It is constructed
out of fragments or passages of observed events and objects to reflect on the
real world. This raises two important issues, one, does the form employed
predetermine the fragments and objects to be 'found' and two, is the issue of
documentary as an art form. In this seminar, we will examine these
two aspects of the documentary in the context of my own journey as a film maker
and of my colleagues in India.
Masterclass de Gustav Deutsch
(Austria)
“FILM IST.”
’Uma rapariga de um tempo ido pegou num punhado de
cinzas e lançou-as ao ar e as faúlhas transformaram-se em estrelas’.
(Um conto boximane)
"FILM IST." é uma declaração reflexiva. O
cinema existe sem qualquer definição. O cinema – entendido como meio para a
produção de imagens em movimento por meio da luz – é um fenómeno óptico e não
uma invenção de seres humanos. O primeiro cinema foi uma caverna na qual raios
de luz, reflectidos do mundo exterior, entrando através de um pequeno orifício,
produziam uma imagem do mundo exterior, invertida e ao contrário, imediatamente
depois de a crosta terrestre ter começado a solidificar-se. Uma câmara escura para
forças elementares. O curso das estrelas, as fases da lua, eclipses do sol e da
lua, relâmpagos – imagens de luz na cabina de projecção do céu. Inspiração
periodicamente recorrente para os mitos dos povos da Terra. Os protagonistas
permanentes do cinema mundial.
Nesta masterclass apresentarei e discutirei:
- A panorâmica de 360
graus do mar Egeu, criada pela CAMERA OBSCURA na ilha de Aegina/Grécia,
que está erigida sobre os alicerces de uma plataforma de artilharia alemã
da Segunda Guerra Mundial.
- Sequências filmadas
hindus com legendas em persa e francês, que encontrei nas ruas de
Casablanca, perdidas por um transportador de bobinas entre dois cinemas.
- O filme de um
arranha-céus em chamas em película de nitrato, do proprietário de um
cinema croata, fortemente danificada pela água, que tinha sobrevivido a
duas guerras mundiais numa cave austríaca.
- Uma cópia de
trabalho de uma telenovela brasileira contendo dois fotogramas de cada
cena a ser usada na determinação de tempos de exposição, com notas sobre filtros
e valores fotométricos, que era usada por uma empregada de limpeza em São
Paulo para lavar os ladrilhos do pavimento de uma casa de banho.
- Sequências
desactivadas de um filme de longa metragem de 35 mm com códigos binários
perfurados que Konrad Zuses usou no primeiro computador de cálculo cem por
cento operacional que construiu na sala de estar de casa dos pais, em
Berlim, em 1936.
·
O subcapítulo 9.3.5
(Rodagem) do subcapítulo 9.3 (Primeiro contacto) do capítulo 9 (Conquista) da
imagoteca de FILM IST.7-12
·
Capítulo 9 (conquista)
de FILM IST.7-12
Masterclass de Mark Durden (Inglaterra)
Documentário Fotográfico Artístico (Paul
Seawright e Luc Delahaye)
Tratarei
de questões resultantes da intersecção entre o fotojornalismo e a arte, em
particular o trabalho de Paul Seawright no Afeganistão, Hidden, 2003, encomendado pelo Imperial War Museum de
Londres, e a passagem de Luc Delahaye do fotojornalismo à arte através de uma
série de fotografias panorâmicas e acontecimentos da actualidade mundial, desde
a guerra no Afeganistão ao Iraque.
Seawright
é um artista cuja obra se enquadra numa tradição particular do documentário
artístico, em reacção ao conflito na sua cidade natal, Belfast. Tendo estudado
com Paul Graham e Martin Parr, o seu trabalho combina o documentário artístico
com uma admonitória relação modernista com a capacidade chocante, explícita e
reveladora (e distanciamento dela) da fotografia documental, particularmente no
seu papel dentro do fotojornalismo. Na essência, o modernismo é anti-realista.
A sua obra está imbuída de uma rejeição do género de imaginário
fotojornalístico que veio a dominar a cobertura que a imprensa fez da guerra na
sua terra natal. O facto de ter chegado ao Afeganistão depois de muita da
devastação ter sido infligida ao país permitiu-lhe prosseguir a estética
documental minimalista, com a sua perspectiva da margem do ardor do conflito,
que havia estabelecido com o seu trabalho em Belfast.
Delahaye
chega à arte vindo do fotojornalismo e tem vindo a produzir imagens muito menos
moderadas do que as de Seawright. Elas tiram pleno partido desse aspecto
revelador e criador de sensações da capacidade da fotografia de evidenciar
acontecimentos e explorar a prevalência da fotografia realista a cores de
grande formato no mercado artístico - Andreas Gursky, Jeff Wall, Thomas Struth.
Delahaye usa uma antiga câmara panorâmica a fim de nos mostrar uma visão maior
e mais abrangente, numa posição de recuo que contraria o princípio de
proximidade do fotógrafo de guerra de Robert Capa. Carregadas de pormenor, as
suas fotografias possuem uma grandeza e importância, assumem uma solenidade
histórica e opõem-se à instantaneidade e subsequente obsolescência imediata da
imagem noticiosa mediática. Revivem a ideia de a história pintar através da fotografia.
Comparada com o eufemismo modernista de Seawright, a táctica de Delahaye é
intrinsecamente pictórica e espectacular.
A
galeria de arte ou o livro fotográfico proporciona decerto um contexto mais
aberto e menos restrito do que o jornal ou a revista e pode permitir ao
fotógrafo a transmissão de informação e percepções sobre determinados conflitos
e situações, desvalorizados ou deficientemente representados pelos meios
noticiosos. Ao mesmo tempo, enquanto arte, este trabalho destaca as tensões irresolúveis
entre a beleza e a estética no que diz respeito à representação de focos de
conflito, dor e sofrimento. Em termos da circulação das obras como bens
artísticos de luxo, o que elas revelam amplia as contradições e o abismo entre
os excessos da sua celebração e aprazimento de primeiro mundo e o espectáculo
dos “outros mundos” que apresentam, países e territórios assolados por uma
violência e destruição que é muitas vezes parte integrante da manutenção do
Ocidente da sua ordem primeiro-mundista e dos seus opulentos excessos.
Dados Biográficos
Jorge Campos é jornalista, documentarista, programador cultural e professor do
Ensino Superior. Desempenha funções de assessor de Coordenação do Curso de
Comunicação Audiovisual do Instituto Politécnico do Porto, onde lecciona as
disciplinas de Cinema e é responsável pela área científica de Estudos Visuais.
Foi o Programador responsável pelo Departamento de Cinema, Audiovisual e
Multimédia do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura. Trabalhou na Imprensa,
Rádio e Televisão, tendo sido jornalista da RTP durante 25 anos, durante os
quais muitos dos seus trabalhos foram premiados ou distinguidos. Entre outros,
Galápagos – As Ilhas Encantadas (Açor de Bronze
na categoria de Reportagem na Mostra Atlântica de Televisão), “Tuaregues” no
Tecto do Mundo (Menção Honrosa Melhor Documentário
Português no Festival de Cinema Documental da Amascultura), Nadir (Prémio Gazeta de Televisão do Clube de Jornalistas, Prémio de Cultura
Sampaio Bruno do Clube de Jornalistas do Porto, Menção Honrosa do Clube
Português de Imprensa, Selecção Oficial do Festival du Scoop et Journalisme de
Angers), A Regata do Infante (Menção Honrosa
do Clube Português de Imprensa), Torga (Menção
Honrosa do Clube Português de Imprensa), Eugénio de Andrade – O Poeta (seleccionado para representar a RTP no Prix Europe de Televisão
1993). Faz parte de diversos grupos de
trabalho de âmbito nacional e internacional, cujo objectivo é fomentar o ensino
e prática no Ensino Superior numa perspectiva profissionalizante.
Mercedes
Álvarez realizou em 1997 a
curta-metragem “El viento africano”. A partir de 1998, resolveu dedicar-se à
linguagem documental, tendo participado no Master de Documental de Creación da
Universidad Pompeu Fabra de Barcelona. Foi montadora da longa-metragem “En
Construcción” de José Luis Guerín, a qual ganhou em 2001 o Goya de Melhor
Documentário, bem como o Prémio do Júri no Festival de San Sebastián. O seu
documentário “O Céu Gira” (2004) é igualmente uma criação no âmbito do curso de
mestrado da Universidad Pompeu Fabra, tendo contado com a participação do
director Jordi Balló, bem como com a colaboração de mestrandos e o apoio do
ICAA, Canal +, dos governos de Navarra e do País Basco e das juntas de Castilla
e León. “O Céu Gira” tem conquistado prémios em todos os festivais por onde tem
passado, nomeadamente, o Grande Prémio no Cinéma du Réel de Paris (atribuído
por um júri onde marcavam presença Jia Zhang-Ke e Ross McEIwee), vencedor do
VPRO Tiger Award no Festival de Roterdão e o prémio de Melhor Filme no Festival
de Cinema Independente de Buenos Aires.
Rahul
Roy concluiu o seu mestrado em
Produção de Cinema e Televisão, em 1987, no Mass Communication Research Centre,
Jamia Millia Islamia, em Nova Deli, e desde então, tem trabalhado na área do
documentário como cineasta independente.
É bolseiro da MacArthur Foundation Fellowship na India. Os seus
documentátios têm sido apresentados nos principais festivais internacionais,
nomeadamente o IDFA, Munique, Leipzig, Paris, Cracóvia, Hawai, Yamagata, Lisboa,
Bruxelas e Katmandu . Os seus últimos três filmes, “When Four Friends
Meet”, “Majma (Performance)” e “The City Beautiful” examinam os cruzamentos
entre o homem, o trabalho e a cidade, sendo conhecidos pelo modo como criam e
revelam os ambientes de intimidade no âmbito das relações pessoais e familiares
com o mundo. Tem sido distinguido por diversas vezes, nomeadamente com o prémio Basil Wright no Festival
Internacional de Cinema da RAI e com o Prix International de la Scam do
Festival du Cinéma du Réel de Paris. De momento trabalha no seu quarto filme, o
qual propõe um olhar sobre a classe operária de Nova Deli.
Gustav
Deutch nasceu em 1952 em Viena. Entre
1970-1979 estuda arquitectura. Entre 1980-1983 é membro da Medienwerkstatt
Wien, trabalhando em vídeo desde 1983. Membro do Grupo Artístico Internacional
Der Blaue Kompressor Floating & Stomping Company. Desde 1985 trabalha com
Hanna Schimek, tendo realizado, desde 1989, numerosas obras cinematográficas. É
desde 1997 membro da sixpackfilm, e desde 2001 membro de After Image
Productions. Realizou trabalhos sobre a fenomenologia do meio cinematográfico.
Dedica-se à investigação artística. Tem realizado projectos desde 1985 com
Hanna Schimek, e desde 1997 projectos sob a designação D&S.
Mark
Durden ganhou reputação como
especialista em fotografia e arte contemporânea.Como artista expõe regularmente
tanto no seu país quanto internacionalmente enquanto membro do grupo
"Common Culture", criado em 1997,o qual, actualmente, é constituído
por ele próprio e por David Campbell.
As suas numerosas publicações incluem textos sobre Paul Seawright,
Wolfgang Tillmans, John Szarkowski, Paul Graham, David Goldblatt, John Goto,
Sophy Rickett, Tracey Emin, Andres Serrano, Dorothea Lange, Mark Lewis, Joachim
Schmid, Martina Mullaney e Peter Finnemore. Em Outubro de 2004 foi o comissário
da importante Exposição de Fotografia Documental “American FSA documentary
photographs for The Lowry”. Acaba de publicar o seu último livro sobre Teoria
da Fotografia. Durden estudou Belas Artes no Exeter College of Art and Design e
na Glasgow School of Arts e fez primeiro, o mestrado e, depois, o doutoramento
em História e Teoria da Arte na University of Kent. Leitor em História e Teoria
da Fotografia na University of Derby em 2002 assumiu, no ano seguinte, a
direcção do Curso.
IMAGENS DO REAL
IMAGINADO
Ciclo de fotografia
e cinema documental
3ª edição
O MUNDO
Coordenação: Olívia
Silva odasilva@sc.ipp.pt
Programação: Jorge
Campos campos_jorge@netcabo.pt
Produção: Cesário
M. F. Alves
cesarioalves@gmail.com
José
Quinta Ferreira quintaferreira@gmail.com
Formação: Manuel
Taboada mtaboada@iol.pt
Nuno
Tudela nunotudela@netcabo.pt
Marco
Conceição marcoconceicao@gmail.com
Design: Vítor
Quelhas vquelhas@gmail.com
Secretariado: Carla
dias
carla.dias@sc.ipp.pt
Apoio técnico:
Serviços de Vìdeo /IPP
Serviços
de Fotografia /IPP
Apoios
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Politécnico do Porto
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